Sol Flamejante do Sertão

Aprecie sem moderação

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A FEIRA DAS FALSAS PROFECIAS

1. O PROFETA ELEITORAL

Minha gente, preste atenção,

Que hoje a feira está armada,

Tem profeta de palanque

Com a língua afiada,

Prometendo até vitória

Antes da urna ser fechada!

No meio da multidão,

Cada qual fazia a aposta:

“Deus já disse que meu homem

Vai sentar naquela poltrona!”

Mas a urna, soberana,

Não respondeu na mesma nota!

2. A REVELAÇÃO DA CAMPANHA

Tinha sonho, tinha visão,

Tinha linha colorida,

Tinha discurso inflamado,

Tinha promessa garantida.

Só faltava o eleitor

Assinar a profecia!

Verde sobe, vermelho desce,

Diz o sonho do pregador;

Mas pesquisa não é Bíblia,

Nem palpite é do Senhor.

Quem confunde a própria vontade

Pode errar como qualquer eleitor!

3. O MICROFONE E O ALTAR

No microfone, o profeta

Falava com convicção:

“Está escrito lá no céu

Quem vai ganhar a eleição!”

Mas o povo perguntava:

“Cadê a confirmação?”

Não se mede a fé de alguém

Pelo voto que escolheu,

Mas usar o nome de Deus

Pra dizer que o céu prometeu

É brincar com a esperança

De quem nele confiou e creu!

4. O PEDIDO DE DESCULPAS

Quando a conta foi fechada

E o resultado apareceu,

Muito sonho de campanha

Na realidade se perdeu.

Quem reconheceu o engano

Um bom passo já deu!

Pois humildade não é fraqueza,

Nem vergonha admitir:

“Confundi minha vontade,

Fui além no meu sentir.”

É melhor rever o erro

Que insistir em iludir!

5. A UNÇÃO E A URNA

Teve gesto, teve unção,

Teve oração no salão,

Teve gente anunciando

Um futuro de campeão.

Mas a urna não se curva

À vontade do sermão!

Pode haver oração sincera,

Pode haver manifestação,

Mas nenhum rito religioso

Substitui a decisão

De milhões de brasileiros

Exercendo o seu direito de eleição!

6. O POVO NÃO É BESTA

O povo tem sua fé,

Sua consciência e memória;

Não precisa de profeta

Pra escolher sua trajetória.

Democracia não é sonho:

É voto, regra e história!

Pastor pode ter candidato,

Pode expor sua opinião,

Mas não deve usar o céu

Pra impor uma decisão.

Fé não pode ser cabresto

Nem instrumento de eleição!

7. O FEIRANTE DAS PREVISÕES

Na feira das profecias,

Tem previsão pra vender:

“Compre um sonho, leve a glória,

Que a vitória vai nascer!”

Mas se a conta der errada,

Quem vai o freguês devolver?

O profeta dá o palpite,

O eleitor dá o seu voto,

E depois da apuração

Não adianta fazer coro.

Quem vende certeza absoluta

Pode acabar vendendo o próprio choro!

8. O REFRÃO DA FEIRA

Ô, freguesia, preste atenção!

Não se vende Deus por voto,

Nem se compra eleição!

Profecia sem certeza

Não governa a nação!

Ô, freguesia, pode gritar!

Quem confunde fé com política

Tem muito que explicar!

A urna fala pelo povo,

Ninguém pode lhe calar!

9. MORAL DO CORDEL

Fica aqui nossa lição,

Escrita em verso ligeiro:

Deus não é cabo eleitoral,

Nem pertence a partido ou terreiro.

Respeitem a fé do povo

E o voto do brasileiro!

Quem quiser falar de Deus,

Que fale com devoção;

Quem quiser entrar na política,

Que assuma sua posição.

Mas não ponha o nome divino

Na disputa da eleição!

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 28/10/2026
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