Sol Flamejante do Sertão

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RETALHOS DA SAUDADE

Autor: Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão

1.

Vou abrir meu coração

Com a pena da verdade,

Pra escrever versos sentidos

Sobre amor e mocidade,

Costurando minha história

Nos retalhos da saudade.

2.

Lá nos tempos de outrora,

Quando a vida era diferente,

Uma canção no rádio

Conquistava tanta gente,

E o piano de Benito

Fazia chorar sorridente.

3.

São Paulo guarda histórias

Que o meu peito não esquece,

A avenida Rio Branco

Na memória reaparece,

E o passado, quando canta,

Faz o coração ter prece.

4.

Retalhos de Cetim tocava,

Era música e emoção,

Cada nota despertava

Um amor, uma paixão,

E eu guardava aquelas frases

Bem no fundo do coração.

5.

Quantos bailes, quantas noites,

Quantas juras ao luar!

Quantos sonhos de juventude

Que o tempo veio levar!

Mas existem melodias

Que ninguém consegue apagar.

6.

Benito di Paula, artista,

Que o Brasil aprendeu a amar,

Com seu piano e seu talento,

Fez saudades despertar.

Sua música tem raízes

Que não param de brotar.

7.

Sou poeta nordestino,

Tenho o sertão por morada,

Trago Assaré na lembrança,

Minha origem abençoada,

E componho estes meus versos

Com a alma emocionada.

8.

Cada rima é um pedacinho

De uma história que vivi,

Cada estrofe é uma janela

Para o tempo que perdi.

Quando escuto uma seresta,

Volto ao jovem que há em mim.

9.

A saudade é costureira,

Tem agulha e tem linha fina,

Une os panos do passado

Com a mão que não termina,

E bordando nossas dores,

Faz da lágrima uma rima.

10.

Se pudesse, eu pediria

Mais um baile, uma canção,

Um piano iluminado,

Uma flor na minha mão,

E os amigos de outros tempos

Reunidos no salão.

11.

Mas a vida segue em frente,

Cada tempo tem seu valor,

E a música permanece

Como testemunha do amor.

Quem transforma a vida em arte

Deixa um rastro de esplendor.

12.

Benito, receba os versos

Deste humilde cantador,

Que mistura o seu Nordeste

Com lembranças e calor.

É homenagem sincera,

É respeito, é gratidão,

É um abraço em forma de arte

Que nasceu do coração.

13.

Termino meu cordel

Sem deixar a chama apagar,

Pois enquanto houver saudade,

Haverá quem queira cantar.

E os retalhos desta vida

Sempre vão nos acompanhar.

14.

Retalhos da saudade,

Costurados com carinho,

Cada verso é uma lembrança,

Cada rima é um caminho.

Quem tem música na alma

Nunca caminha sozinho!

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 28/10/2026
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