

Do Cafezinho ao Champanhe: As Bebidas Preferidas dos Presidentes do Brasil
Uma crônica histórica sobre costumes, tradições e curiosidades da vida presidencial brasileira
Por Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão Introdução — A história também se serve à mesa A história presidencial brasileira não está apenas nos discursos, decretos e decisões de Estado. Ela também aparece em banquetes diplomáticos, cafés da manhã, encontros políticos e hábitos cotidianos. As bebidas associadas aos presidentes revelam contrastes entre tradição e modernidade, costumes regionais e símbolos de prestígio. Do café ao champanhe, do chimarrão à água de coco, esses detalhes ajudam a aproximar figuras públicas de suas dimensões mais pessoais — embora muitas associações dependam de memórias, reportagens ou documentos pontuais e não constituam provas definitivas de preferências permanentes. A trajetória começa no início do século XX, quando os banquetes oficiais ainda seguiam modelos europeus, e avança até um período em que refrigerantes populares e preferências simples também passaram a ocupar espaço na narrativa presidencial. Nilo Peçanha — O café como tradição Nilo Peçanha governou o Brasil entre 1909 e 1910, após a morte do presidente Afonso Pena. Sua passagem pelo Palácio do Catete ocorreu em uma época em que as recepções oficiais reuniam cardápios elaborados e bebidas importadas. Relatos históricos mencionam sua preferência pelo café servido depois das refeições. A afirmação de que seria exigente quanto à qualidade da bebida, valorizando um café puro e aromático, deve ser tratada como uma descrição não confirmada por documentação amplamente acessível. Também há referências ao consumo de vinho do Porto durante as refeições. Essas menções parecem refletir os costumes das mesas formais da época, mas não permitem afirmar, com segurança, que se tratava de uma preferência pessoal constante do presidente. Entre o café e o vinho, surge um contraste expressivo: enquanto as cerimônias oficiais exibiam a sofisticação dos banquetes, o cafezinho representava um costume familiar e cotidiano, profundamente enraizado na cultura brasileira. Hermes da Fonseca — Champanhe nos grandes banquetes Hermes da Fonseca presidiu o Brasil de 1910 a 1914. Durante seu governo, as recepções diplomáticas continuaram a ocupar lugar importante na vida política do Rio de Janeiro, então capital federal. Em maio de 1913, Hermes ofereceu um banquete no Palácio do Catete em homenagem a Lauro Müller, ministro das Relações Exteriores, que se preparava para viajar aos Estados Unidos. A ocasião reuniu autoridades brasileiras, ministros e representantes diplomáticos. Registros de cardápio e de imprensa indicam a presença de champanhe no brinde presidencial, acompanhado de um discurso sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos. O cardápio também teria incluído ponche preparado com champanhe. Como essa informação depende da leitura de registros da recepção, é mais seguro apresentá-la como item documentado do evento, e não como indicação de preferência pessoal de Hermes. Meses depois, outro encontro, realizado a bordo de um transatlântico holandês, deixou menções a vinhos e champanhes servidos aos convidados. Esses menus ajudam a compreender não apenas os hábitos gastronômicos da elite política, mas também o papel da hospitalidade nas relações internacionais do início da República. Eles documentam bebidas oferecidas em ocasiões oficiais, não necessariamente aquilo que o presidente consumia no cotidiano. Epitácio Pessoa — A influência dos vinhos franceses Epitácio Pessoa assumiu a Presidência em 1919. Natural da Paraíba, retornou ao Brasil como presidente eleito e foi recebido em sua terra natal com uma celebração que teria reunido aproximadamente 130 convidados.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 27/10/2026
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