

O MALANDRO DA POLÍTICA
Flávio Bolsonaro e os caminhos da esperteza política
Cordel satírico de Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 1. A viola vai cantar Puxo a viola afinada, Que hoje o verso é afiado, Vou falar de um senador E seu caminho traçado. Na política brasileira, Tudo tem seu outro lado! Prepare o banco da praça, Chame o povo pra escutar, Que o cordel de hoje promete Dar assunto pra danar. Quando a política vira mote, Tem história pra contar! 2. O mote do malandro Flávio é malandro, dizem, No sentido popular, Tem habilidade no jogo, Sabe o rumo navegar. Mas ser bom de articulação Não é o mesmo que entregar! Na política há quem saiba Cada peça movimentar, Faça acordo, abra portas, Tenha aliados pra somar. Mas o povo quer saber: Que resultado vai mostrar? 3. A escola carioca Lá no Rio de Janeiro, A política tem memória, Tem escândalo, tem processo, Tem capítulo de história. E os velhos casos judiciais Ainda povoam a memória. Governadores já caíram Em processos de repercussão, Deputados foram alvos De inquérito e investigação. É uma história que exige Transparência e apuração. 4. A Assembleia em evidência Na Assembleia Legislativa, Já houve muita confusão, Operações, denúncias, Disputa e investigação. Quando o poder vira notícia, O povo pede explicação! E quando a pauta é milícia, O assunto fica pesado, Pois há denúncias de vínculos Que precisam ser apurados. Não se condena por boato, Mas não se ignora o denunciado! 5. O senador na berlinda Flávio chegou ao Senado, Levando seu sobrenome, E o eleitor acompanha O que seu mandato consome. Pois mandato não é título Pra satisfazer vaidade de homem! Cadê os grandes projetos? Que propostas apresentou? Que medidas importantes Defendeu ou aprovou? O eleitor cobra resultados Do mandato que confiou! 6. A pergunta do matuto Seu senador, dê licença, Que eu sou matuto do chão: Não me venha só com fala, Nem discurso de ocasião. Quero saber o que foi feito Em favor da população! Se a conversa é muito boa, Se a articulação tem valor, Mostre o fruto desse esforço, Mostre o trabalho, senador! Pois promessa sem resultado Não alimenta trabalhador! 7. O caso que deu conversa A chamada rachadinha Virou tema nacional, Com acusações e inquéritos No debate judicial. Mas denúncia não é sentença, Isso é princípio legal. O caso teve arquivamento, Com questões processuais, E não cabe transformar Suspeitas em fatos finais. A crítica ganha força Quando respeita os sinais! 8. A malícia do poder Na política tem gente Que conhece a negociação, Sabe aproximar aliados, Faz acordo e articulação. Mas habilidade política Não substitui prestação! É preciso mostrar serviço, Apresentar realização, Defender medidas públicas Com clareza e explicação. Pois o mandato é do povo, Não pertence à parentela nem ao clã da eleição! 9. O refrão da feira Ô, malandro da política, Responda ao povo, então: Além de abrir os caminhos, Que deixou de realização? O eleitor não quer mistério, Quer trabalho e prestação! Ô, malandro da política, Não se zangue com a questão: Quem recebe um mandato Tem dever de explicação. O voto abre a porta, Mas não encerra a cobrança da nação! 10. O sobrenome famoso Sobrenome abre caminho, Isso não dá pra negar, Mas é o trabalho do mandato Que se deve avaliar. Pois herança de família Não ensina a governar! O povo não é plateia De espetáculo eleitoral, Nem figurante de discurso Com promessa monumental. Quem ocupa cargo público Tem dever constitucional! 11. A ironia sertaneja Lá no banco da pracinha, Seu Zé começou a falar: “Se esperteza desse voto, Era fácil se eleger e mandar! Mas depois que ganha a cadeira, Tem serviço pra mostrar!” Dona Maria respondeu, Com seu jeito de ensinar: “Eu não quero só conversa, Quero a vida melhorar. Quem promete em campanha Tem depois que trabalhar!” 12. A conta do mandato Não se mede um senador Pelo grito ou pela fama, Nem por briga de internet, Nem por quem mais se inflama. É preciso olhar os fatos E o trabalho que se chama. Quais projetos apresentou? Quais propostas defendeu? Como votou nas matérias? Que compromisso assumiu? É olhando esse conjunto Que se entende o que cumpriu. 13. O fechamento da viola Vou guardar minha viola, Mas deixo a provocação: A política não é truque, Nem jogo de adivinhação. Quem recebe a confiança Tem que honrar a obrigação! Se é hábil na conversa, Que demonstre o seu valor; Se articula nos bastidores, Que mostre o fruto ao eleitor. Pois discurso é só discurso, E trabalho tem seu valor! 14. A última palavra Flávio é tema de debate, Seu mandato está em questão; Cabe ao povo olhar os fatos E formar sua opinião. Pois democracia se fortalece Com cobrança e informação! E o matuto fecha o verso, Sem perder a educação: “Quem se senta na cadeira Não se livra da avaliação. O poder pode ter dono, Mas o voto é do cidadão!”
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 24/10/2026
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