Sol Flamejante do Sertão

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Textos

RAP — O BRASIL NÃO TEM DONO
[INTRO — voz grave, sirene ao fundo]

Aê, Brasil!
Aumenta esse grave!
Aqui é a voz da quebrada,
De quem não foge da verdade!
Não tem sangue azul, não tem rei,
Não tem família dona da cidade!
O povo tá de olho aberto!
E o silêncio não é cumplicidade!

[VERSO 1 — flow agressivo]

Na quebrada o papo é reto, ninguém vive de ilusão,
Tem mãe contando as moedas, tem boleto e prestação.
Lá no alto, o poder joga seu jogo de influência,
Aqui embaixo, o trabalhador paga a conta da sentença.

Flávio quer chegar ao topo? Então responda ao cidadão!
Quem pretende ser presidente tem que encarar cobrança e pressão.
Não adianta pose bonita, nem discurso decorado,
Quem deseja a faixa presidencial tem que ser questionado!

Tem denúncia, tem polêmica, tem pergunta no caminho,
Quem exige transparência não está falando sozinho.
Não confundo acusação com sentença judicial,
Mas ninguém está acima da cobrança popular!

[REFRÃO — coro da periferia]

O BRASIL NÃO TEM DONO!
O BRASIL NÃO TEM REI!
O POVO NÃO É FANTOCHE
NA MÃO DE NENHUM CORONEL!

Abre as contas! Dá resposta!
Democracia não se encosta!
Se o poder quiser calar,
A periferia vai rimar!

[VERSO 2 — beat mais pesado, voz rasgada]

Jair, escuta essa rima, presta bem atenção:
Sobrenome não transforma ninguém em dono da nação.
Michelle, Damares, o recado é cidadão:
Quem participa do poder tem que encarar a discussão.

Família não é monarquia, mandato não é herança,
O povo não entrega o futuro sem cobrar responsabilidade e confiança.
Se o pai perde a influência, se o filho quer avançar,
É o voto consciente que precisa avaliar!

E tem gente que pergunta: “Se der ruim, vai tirar?”
Mas se as regras forem feridas, quem consegue consertar?
Democracia tem defesa, tem Justiça e Constituição,
Não se pode desmontar os freios da nossa nação!

[PONTE — beat para, voz falada]

Escuta aqui, playboy do palanque!

A quebrada não quer privilégio.
Quer escola, quer emprego, quer respeito.
Quer político respondendo às perguntas.
Quer Justiça sem dois pesos e duas medidas.

Não queremos condenação sem prova.
Queremos investigação sem proteção!
Porque a lei não pode ter sobrenome,
E o poder não pode ser propriedade de uma família!

[VERSO 3 — flow acelerado, rimas de confronto]

Na Assembleia, no Senado, onde houver representação,
O mandato é um compromisso, não um salvo-conduto na mão.
Se existe suspeita, investigue; se há prova, apure o caso,
Não se compra a consciência nem se esconde o resultado.

O trabalhador acorda cedo, pega trem lotado,
Enquanto o povo quer resposta, o debate é desviado.
Tem aluguel, tem feira cara, tem criança pra criar,
E tem gente disputando o poder sem querer se explicar?

A periferia tá cansada de promessa eleitoral,
De político que se acha acima da lei nacional.
Não importa se é da direita, do centro ou da esquerda,
Quem brincar com a democracia vai ouvir a voz da quebrada!

[REFRÃO FINAL — coro coletivo, bateria e baixo distorcido]

O BRASIL NÃO TEM DONO!
O BRASIL NÃO TEM REI!
O POVO NÃO É FANTOCHE
NA MÃO DE NENHUM CORONEL!

Abre as contas! Dá resposta!
Democracia não se encosta!
Se o poder quiser calar,
A periferia vai rimar!

O voto é nosso!
A voz é nossa!
A rua cobra!
A verdade importa!

O BRASIL NÃO TEM DONO!
NÃO TEM TRONO, NEM PATRÃO!
QUEM GOVERNA PRESTA CONTAS
AO POVO DESTA NAÇÃO!

[OUTRO — voz grave, beat diminuindo]

Da favela ao sertão,
Do asfalto ao chão batido,
O povo quer respeito,
Não quer ser feito de esquecido.

A caneta é do povo.
A cobrança é democracia.
E a nossa maior arma
É consciência todo dia!
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 22/10/2026
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