Sol Flamejante do Sertão

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RETALHOS DE SAUDADE
Um cordel em homenagem a Benito di Paula

Autor: Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão

1.

Vou abrir meu coração
Neste cordel verdadeiro,
Pra falar de um sentimento
Que me acompanha por inteiro,
São retalhos de saudade
Costurados com amor verdadeiro!

2.

Quando eu lembro de São Paulo,
Meu pensamento se agita,
A avenida Rio Branco
Na memória ressuscita,
E uma canção de outros tempos
Minha alma ainda visita.

3.

Mil novecentos e setenta e três,
Foi um tempo de emoção,
O piano tocava fundo,
Conquistando multidão,
E Benito di Paula
Fazia festa no coração.

4.

Retalhos de Cetim tocava,
Eu sentia o peito arder,
Cada nota era uma história,
Cada verso, um bem-querer,
E eu chorava na avenida
Sem vergonha de sofrer.

5.

Quantos sonhos de juventude
Pelas ruas eu deixei!
Quantos rostos, quantos beijos,
Quantas juras eu guardei!
Hoje, olhando para trás,
Vejo tudo que passei.

6.

A saudade é costureira
De uma roupa que não sai,
Pega os panos do passado,
Ponto a ponto os junta e atrai,
Faz um manto de lembranças
Que o tempo nunca desfaz.

7.

Benito, artista querido,
Dono de um jeito singular,
Com seu piano e sua voz,
Fez o povo se emocionar,
Transformou as nossas dores
Em motivos pra cantar.

8.

Seu estilo tem balanço,
Tem tristeza e tem paixão,
Tem um pouco de esperança
Misturada à solidão,
É música que atravessa
As fronteiras da razão.

9.

Lá no fundo da memória,
Há um salão iluminado,
Uma mesa, alguns amigos,
Um romance começado,
E uma música de Benito
No ambiente apaixonado.

10.

Quem viveu aqueles anos
Sabe bem o que eu digo,
Uma canção vira abrigo,
Vira abraço, vira amigo,
E nos dias mais difíceis
Vai caminhando contigo.

11.

O Nordeste me ensinou
A cantar minha verdade,
Sou sertanejo de origem,
Tenho orgulho da cidade,
Mas São Paulo me deixou
Seus retalhos de saudade.

12.

Hoje pego a minha pena
Pra escrever com emoção,
Faço versos como quem
Põe remendo no coração,
Cada estrofe é um pedacinho
Da mais pura recordação.

13.

Se o piano se calasse,
Ainda ouviria a canção,
Pois a música verdadeira
Nunca morre na amplidão,
Fica viva na lembrança,
Feito chama em oração.

14.

Benito, receba os versos
Deste humilde cantador,
Que encontrou em suas músicas
Um caminho de calor,
E hoje presta esta homenagem
Com respeito, paz e amor.

15.

Termino este meu cordel
Com saudade e alegria,
Pois quem canta os sentimentos
Planta flores todo dia,
E transforma a própria vida
Num jardim de poesia.

16.

Retalhos de saudade,
Costurados no passado,
Cada ponto é uma lembrança,
Cada verso é um recado:
Quem deixou amor na música
Nunca será esquecido ou apagado!
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 21/10/2026
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