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A POLÍTICA NÃO É UM RINGUE: ENTRE O DEBATE E A INTIMIDAÇÃO
Uma reflexão sobre o poder, o respeito e a responsabilidade de governar

Por Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão

Há debates políticos que terminam quando as câmeras são desligadas. Outros continuam na consciência de quem assistiu, provocando perguntas que não podem ser respondidas apenas com aplausos, vaias ou cortes nas redes sociais.

O debate presidencial realizado entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro trouxe à tona uma questão que vai muito além das divergências partidárias: afinal, o que esperamos de alguém que deseja governar o Brasil? Um administrador capaz de apresentar propostas, enfrentar questionamentos e prestar contas à sociedade ou um personagem disposto a transformar o confronto político num espetáculo de provocações?

Na avaliação de quem fez a análise que inspira esta crônica, Lula, aos 80 anos, enfrentou o embate sem permitir que as tentativas de diminuí-lo definissem sua postura. Já o comportamento de Flávio Bolsonaro foi interpretado como uma tentativa de intimidação, marcada por provocações, deboche e ataques pessoais.

É importante distinguir duas coisas: firmeza não é agressividade, assim como respeito não significa fraqueza. Um candidato pode ser duro nas perguntas, incisivo nas cobranças e implacável na exigência de explicações sem precisar transformar seu adversário em objeto de ridicularização.

Afinal, o eleitor não liga a televisão para assistir a uma briga de rua com iluminação profissional. Ele quer saber como será governado, de onde virão os recursos, quais serão as prioridades e que medidas concretas poderão melhorar sua vida.

Mas a política contemporânea parece, muitas vezes, ter descoberto uma maneira mais fácil de conquistar a atenção: em vez de explicar, provocar; em vez de responder, desviar; em vez de apresentar argumentos, produzir uma cena que possa ser recortada, compartilhada e celebrada pelos próprios apoiadores.

O vídeo viraliza, a torcida comemora e a pergunta original desaparece.

E o eleitor? Continua esperando a resposta.

A segurança pública não cabe numa frase de efeito

Um dos temas mais importantes do confronto foi a segurança pública. E não poderia ser diferente. O brasileiro quer sair de casa sem medo, voltar do trabalho em segurança, ver seus filhos brincando na rua e confiar nas instituições encarregadas de protegê-lo.

Cobrar resultados de um presidente é legítimo e necessário. Prometer acabar com a violência, entretanto, exige muito mais do que discursos inflamados.

É preciso explicar quais políticas serão adotadas, como serão financiadas, de que maneira as forças de segurança serão integradas e quais mecanismos impedirão que o crime organizado continue infiltrando-se nas estruturas do Estado.

A segurança pública brasileira envolve responsabilidades compartilhadas. As polícias civis e militares estão subordinadas aos governos estaduais, enquanto a União possui atribuições próprias, inclusive na coordenação de políticas nacionais, no combate a organizações criminosas e na cooperação entre instituições.

Portanto, não basta apontar o problema. É necessário esclarecer o que cada esfera de governo pode fazer e como trabalhará com as demais.

E, quando a cobrança é dirigida a um senador com trajetória política no Rio de Janeiro, surge outra questão legítima: qual foi sua atuação legislativa em favor da segurança pública? Que propostas apresentou? Que resultados podem ser demonstrados? Que mecanismos defendeu para combater as milícias, o tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e a corrupção que alimenta organizações criminosas?

São perguntas que merecem respostas documentadas, não insinuações nem frases de efeito.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 21/10/2026
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