

O SEGREDO DOS PODEROSOS
Cordel satírico dos bastidores da Justiça
Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão Vou contar uma história Que merece atenção, Tem segredo nos arquivos E pergunta na nação; Quando o poder entra em cena, Quem vigia o guardião? Lá nos grandes tribunais, Onde a lei deve imperar, O povo espera justiça, Tem esperança no olhar. Mas notícia de suspeita Faz a pulga se coçar! A Polícia Federal Foi a campo investigar, Um ex-servidor do tribunal Entrou no radar do olhar. Se houve quebra de sigilo, É preciso esclarecer! Dizem que informações Podem ter sido repassadas, Que documentos sigilosos Teriam sido compartilhados. Mas suspeita não é sentença, São fatos a ser provados! No meio dessa história Tem advogado citado, Tem político mencionado, Tem processo investigado. E o Brasil quer saber O que foi comprovado! Se um arquivo é reservado, Tem motivo pra guardar; Não é mimo de autoridade Pra amigo aproveitar. Se alguém furou essa regra, A Justiça há de apurar! Mas cuidado, minha gente, Com o dedo acusador: Não se troca investigação Por sentença ou dissabor. A verdade exige prova, Não torcida nem rancor! Tem sujeito que, se é aliado, Diz que tudo é invenção; Se o suspeito é adversário, Já decreta condenação. Essa régua de dois tamanhos Não combina com a nação! Se o investigado é famoso, Tem que investigar também; Se é humilde e sem influência, Tem seus direitos, meu bem. A Justiça não escolhe Quem merece ou não merece amém! Não importa o sobrenome, Nem partido ou posição, Nem o cargo, nem a conta, Nem o peso da influência. Quem tiver culpa comprovada Responda conforme a lei e a evidência! E se nada for provado, Que se diga sem temor; Pois justiça verdadeira Não trabalha por rancor. Nem condena por manchete, Nem protege por favor! O povo lá do meu sertão Tem uma pergunta certeira: Por que a lei, quando é chamada, Parece andar na carreira? Será que vale igual pra todos Ou muda conforme a carteira? Não quero tribunal de partido, Nem justiça de ocasião, Quero prova, transparência, Quero séria apuração. Quem transforma cargo em privilégio Desrespeita a população! E encerro meu cordel Com esta reflexão: A lei não tem proprietário, Nem partido ou patrão. Ninguém está acima dela, Nem abaixo da proteção!
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 20/10/2026
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