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O PLANETA NÃO É SUPERMERCADO DE NINGUÉM

Uma crônica crítica sobre Trump, petróleo, minérios e poder

Por Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão

Existe uma curiosidade na política internacional: quando um país pobre precisa de dinheiro, um país em guerra precisa de armas ou uma economia atravessa uma crise, certas potências aparecem carregadas de boas intenções, calculadoras, contratos e uma impressionante capacidade de descobrir riquezas escondidas debaixo do chão alheio.

É quase um milagre geológico! O sofrimento de um povo desperta solidariedade, mas essa solidariedade pode vir acompanhada de interesses por petróleo, gás, terras raras e minerais estratégicos.

Donald Trump, com seu estilo empresarial de negociar o mundo como uma grande imobiliária, tornou essa lógica especialmente visível. Sua administração priorizou interesses econômicos e estratégicos dos Estados Unidos, como governos de diferentes orientações costumam fazer. O problema começa quando essa defesa ameaça a autonomia de outros países ou reduz relações complexas a uma disputa de vantagens.

E o planeta parece ganhar uma nova modalidade de comércio: o negócio da necessidade alheia.

Ucrânia: a solidariedade com calculadora

Em fevereiro de 2025, Volodymyr Zelensky foi à Casa Branca e protagonizou uma discussão pública com Trump e o vice-presidente JD Vance. A conversa sobre a defesa da Ucrânia transformou-se num confronto sobre gratidão, poder e interesses americanos.

Dois meses depois, Estados Unidos e Ucrânia assinaram um acordo para criar um fundo de investimento destinado à reconstrução ucraniana. O mecanismo prevê a destinação de 50% de determinadas receitas futuras de projetos de recursos naturais públicos, com gestão compartilhada, além de preferência americana em certas oportunidades minerais

Washington apresenta o acordo como parceria e possível instrumento de reconstrução. Seus críticos fazem uma pergunta incômoda: quanto vale a liberdade de negociar quando um dos lados luta pela própria sobrevivência e depende de apoio militar externo?

Também é preciso reconhecer que acordos desse tipo podem trazer capital, tecnologia e previsibilidade para a reconstrução, desde que tenham transparência, fiscalização e benefícios claros para a sociedade ucraniana. Não é preciso negar a importância da ajuda americana para reconhecer a desigualdade de poder.

A Ucrânia precisa reconstruir cidades, proteger sua população e defender seu território. Nesse cenário, seus recursos naturais não são apenas mercadoria: estão ligados ao futuro econômico de uma nação devastada.

A questão não é se países podem negociar, mas se a necessidade de um deles permite ao mais forte ditar as condições. E também se os termos aprovados preservam a capacidade de decisão da população afetada.

Venezuela: quando o petróleo entra pela porta da frente

A Venezuela possui enormes reservas de petróleo. E o petróleo tem uma propriedade curiosa: transforma o subsolo de um país em assunto de interesse mundial.

Em 3 de janeiro de 2026, forças americanas capturaram Nicolás Maduro, e Trump anunciou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração venezuelana. A operação provocou controvérsia internacional sobre legalidade, poder e interesses por trás da intervenção.

Em outubro de 2026, o governo interino de Delcy Rodríguez anunciou expectativas de investimentos de aproximadamente 76 bilhões de dólares no setor petrolífero ao longo de cinco anos, incluindo projetos em 17 campos. A abertura foi apresentada como oportunidade de recuperação econômica.

Investimento estrangeiro pode trazer tecnologia, capital e produção, especialmente em uma economia debilitada. O ponto é examinar os contratos, a distribuição dos ganhos, os mecanismos de controle, os impactos ambientais e quanto da riqueza permanecerá com

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026


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