

🎙️ O EVANGELISTÃO DAS PROMESSAS Rap de protesto político — sátira, fé e consciência popular Autor: Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão INTRO — O PREGADOR DO PALANQUE Atenção, minha gente, que o espetáculo vai começar! Tem político com uma Bíblia e um decreto pra assinar! Diz que quer salvar o povo, que tem Deus no coração, Mas quando chega a eleição, faz do templo um palanque de campanha e promoção! Quer discutir com quem não crê, quer dar lição de religião, Mas será que a fé do próximo cabe dentro da Constituição? Se a política é coisa pública, se o Estado é de toda a gente, Por que tem gente querendo ser dona da fé de tanta gente? REFRÃO — O EVANGELISTÃO DAS PROMESSAS Ô, meu Brasil, abre o olho, presta muita atenção! Fé não é moeda de troca, nem cabresto eleitoral na mão! Cada um tem sua crença, sua escolha, sua razão, E o Estado deve servir a toda a população! Ô, meu Brasil, não se deixe enrolar! Quem promete governar tem que saber explicar! Não basta falar de Deus, nem gritar pela nação: Tem que mostrar o trabalho e respeitar o cidadão! VERSO 1 — A REPÚBLICA DO PÚLPITO O sujeito sobe no palco, faz discurso inflamado, Diz que o Brasil precisa ser por ele abençoado. Quer transformar sua crença em regra nacional, Como se a própria consciência fosse decreto federal! Mas a praça é de todos, a escola é de todos também, O direito de ter fé não tira o direito de ninguém. Tem católico, evangélico, espírita e ateu, Tem quem reze em voz alta e quem converse só com Deus. O Estado não tem altar, não precisa ter patrão, Tem que garantir o direito de cada religião. Se a fé é verdadeira, não precisa de imposição: Respeitar quem pensa diferente também é demonstração! VERSO 2 — A CAMPANHA DO AMÉM Na véspera da eleição, aparece a comitiva, Com promessa milagrosa e conversa persuasiva. Tem versículo na ponta da língua, pose de santidade, Mas o eleitor quer saber da saúde e da cidade! Quer saber do emprego, da escola e do salário, Do transporte, da moradia, do posto e do funcionário. Não adianta prometer que o céu vai descer à praça Se a torneira continua seca e o preço da feira ameaça! A política exige plano, orçamento e explicação, Não se governa um país só com frase de efeito e oração. A oração é um direito, a cobrança também é: Quem administra o dinheiro tem que prestar contas, sim, senhor! REFRÃO — O EVANGELISTÃO DAS PROMESSAS Ô, meu Brasil, abre o olho, presta muita atenção! Fé não é moeda de troca, nem cabresto eleitoral na mão! Cada um tem sua crença, sua escolha, sua razão, E o Estado deve servir a toda a população! Ô, meu Brasil, não se deixe enrolar! Quem promete governar tem que saber explicar! Não basta falar de Deus, nem gritar pela nação: Tem que mostrar o trabalho e respeitar o cidadão! VERSO 3 — A LIBERDADE NÃO TEM DONO Se eu acredito em Deus, tenho o direito de acreditar; Se você não acredita, ninguém pode lhe obrigar. A liberdade religiosa vale para todos os lados, Não existem brasileiros de primeira ou de segunda no Estado! Não se mede a dignidade pela fé que alguém professa, Nem se faz da diferença uma ameaça ou promessa. A Constituição garante a liberdade de consciência, E a democracia exige respeito e convivência. Pode o político ser crente, pode ser ateu também, Mas, na hora de governar, tem que respeitar todo mundo igualmente. Não transforme a sua crença em instrumento de poder: A fé pode iluminar caminhos, mas não manda alguém crer! VERSO 4 — O MILAGRE DA PROMESSA O candidato promete que a gasolina vai baixar, Que a comida fica barata e que o povo vai prosperar. Mas pergunte pelo plano, pela conta e pela medida: O milagre da campanha precisa funcionar na vida! Se promete mais emprego, diga onde vai gerar; Se promete casa e renda, diga como financiar. Se promete segurança, apresente a solução; E se promete honestidade, aceite fiscalização! Porque promessa sem caminho é conversa no palanque, Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
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