

O TRONO NÃO É HERANÇA Parte II — O Voto Consciente e a Feira das Promessas Por Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 1. A feira dos candidatos Chegou o tempo da urna, Começou a agitação, Tem candidato vendendo Mil promessas de ocasião. É promessa em cada esquina, É discurso e empolgação! Um promete carne barata, Outro promete um milhão, Um diz que acaba com tudo, Outro oferece solução. Mas, na hora de explicar, Dá um nó na explicação! — Vou baixar o preço da carne! — Mas como vai conseguir? — Isso eu explico mais tarde, Agora deixe-me subir! — Mas o senhor não tem projeto? — Tenho vontade de assumir! O eleitor coça a cabeça, Dá um sorriso amarelo: — Esse sujeito promete Até transformar chumbo em elo! Mas, se pergunto o caminho, Fica mudo e amarelo! 2. O eleitor não é fantoche Eleitor, abra os olhos, Não se deixe enganar, Quem lhe pede o seu voto Tem que saber explicar. Não basta falar bonito, É preciso demonstrar! Não entregue sua escolha Por favor ou obrigação, Nem troque cinco anos de espera Por um saco de feijão. O voto tem grande força, Não é ficha de balcão! Se o candidato lhe oferece Um presentinho qualquer, Pergunte pelo hospital, Pela escola e pela mulher Que trabalha o dia inteiro E ainda luta como puder! Não confunda simpatia Com competência provada, Nem transforme um sobrenome Numa escolha automática. A urna não é cartório De herança familiar! 3. O candidato sem projeto Perguntaram ao sujeito: — Qual será sua missão? Ele respondeu sorrindo: — Vou mudar esta nação! — Mas por onde começará? — Primeiro, a eleição! — E depois de eleito, Como vai fazer a mudança? — Com coragem e trabalho, Com fé e perseverança! — Mas cadê o plano concreto? — Não estrague minha esperança! O repórter insistiu: — E o dinheiro, de onde vem? — Meu governo será grande, Vai melhorar tudo também! — Mas qual será a despesa? — Ora, meu amigo, amém! O povo caiu na risada, A praça virou salão: — Esse candidato inventou A ciência da enrolação! Tem resposta pra pergunta Que ninguém fez na eleição! 4. A proposta tem que aparecer Quem promete escola boa Tem que mostrar o que fará, Como vai formar professores E de onde o dinheiro virá. Não basta pintar a placa E mandar fotografar! Quem promete saúde digna Tem que explicar a gestão, Como vai cuidar das filas, Dos remédios e do plantão. Hospital não se administra Só com discurso e inauguração! Quem promete emprego e renda Precisa apresentar caminho, Investimento, qualificação, Oportunidade e incentivo. Pois promessa sem projeto É balão sem cordãozinho! E quem promete segurança Tem que mostrar competência, Com prevenção e investigação, Com respeito e inteligência. Não basta gritar mais alto Para demonstrar eficiência! 5. O parente do poder Tem candidato que anuncia: — Meu pai foi grande doutor! Meu avô foi importante, Minha família tem valor! Mas o eleitor logo pergunta: — E o senhor, meu senhor? O passado de um parente Não governa o meu presente, Nem o erro de um parente Faz culpado o descendente. Cada qual deve ser julgado Pelo que faz diante da gente! Se o filho tem competência, Que demonstre no debate; Se tem proposta consistente, Que apresente e a sustente. Mas não venha exigir o voto Como herdeiro de um combate! A República não é fazenda, Nem o povo é criação, O mandato tem limites, A lei vale pra nação. E o sobrenome, sozinho, Não merece procuração! 6. A memória do eleitor Lembre aquilo que disseram Na campanha eleitoral, Guarde as promessas por escrito, Faça um balanço geral. Quem governa presta contas, Isso é dever fundamental! Veja como vota o eleito, Se fiscaliza ou se omite, Se cumpre aquilo que promete Ou se da cobrança se esquiva. Não se mede um representante Pela propaganda que exibe! Consulte fontes confiáveis, Compare informação, Desconfie de notícia Sem prova ou confirmação. Mentira corre feito fogo, Mas não vira verdade, não! Não compartilhe uma história Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
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