

A Fartura da Indesejada Lá nas terras do Assaré Onde o sol queima o espinhaço, A morte chega na calma, Não pede licença ou abraço. Bate o martelo na mesa E não dá nem um pedaço! O rico junta a riqueza, Guarda o gado no curral, Mas pra dona do caixão O terno é do mesmo pano, Não tem conta no estrangeiro Que pague mais um ano. Tem velório que é um show, Gente chorando em sincero, Outro fingindo o chorume Pra ver se herda o terno. Mas o defunto na cova Já tá cagando pro inferno! Dormiu o hômi sadio, Sem dor no peito nem nada, Acordou frio e esticado, Com a vista paralisada. O povo na calçada diz: “Menino... que lapada!” Então vamos dar risada, Enquanto a finada não vem! Pois pra fazer essa viagem, Na frota de Assaré, Quem tá vivo paga a conta, Quem morreu já tá de pé! Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
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