

⚰️ A ÚLTIMA VIAGEM — O CORDEL DA FUNERÁRIA Entre caveiras, caixões e as risadas do sertão Por Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão Vou contar neste cordel Um causo de arrepiar, Tem caveira, tem foice, Tem convite pra viajar! Mas não se avexe, meu povo, Que ninguém vai embarcar! Lá pras bandas de Assaré, Onde a prosa é tradição, Vi uma placa engraçada Que chamava a atenção: “Venha fazer sua viagem!” Era quase uma intimação! A placa era toda preta, Com caveira e uma foice, Parecia até que a morte Tinha aprendido a fazer marketing! Se o vivente olhasse muito, Saía dali sem voz! “Assim, vamos fazer A última viagem comigo?” A placa fazia o convite Com um sorriso de perigo! Eu pensei: “Ô propaganda! Esse negócio é castigo!” O cabra saía de casa Pra comprar feijão e farinha, Dava de cara com a morte Logo ali, na sua esquina! Voltava correndo pra casa: “Hoje eu fico com a minha!” A funerária, danada, Trabalha com precisão: Tem caixão de todo preço, Tem coroa e ornamentação. Só não vende passagem Com direito à devolução! Se o freguês perguntar: “Tem desconto à vista, patrão?” O agente responde sério: “Depende da situação! Se pagar antecipado, Talvez melhore o caixão!” E o povo, muito curioso, Quer saber como é que é: Se defunto paga ingresso, Se tem fila ou guichê, Se lá do outro lado Tem café e mungunzá! Tem também as funcionárias Que conhecem cada história, Cada susto, cada engano Que se guarda na memória. Trabalhar com despedidas Dá experiência e dá glória! Mas respeitemos a dor De quem perde um ente amado, Pois o riso do cordel Não despreza o enlutado. A sátira é uma brincadeira, Não é deboche do finado! E no sertão se escuta Uma frase popular: “Foi dormir Nozinho, Quando acordou, foi descansar!” O povo inventa cada coisa Que dá vontade de gargalhar! A morte é coisa séria, Ninguém pode duvidar, Mas o povo nordestino Sabe rir pra suportar. Faz piada da existência Sem deixar de respeitar! Por isso, minha gente, Vou encerrando a função: Cuide bem da sua vida, Dê carinho ao seu irmão! Que a última viagem é certa, Mas ninguém sabe a estação! Se encontrar aquela placa, Não precisa se assustar! Vá vivendo sua vida, Tenha histórias pra contar. E deixe o dono da funerária Com tempo pra esperar! Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 🔥📜 Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
Alterado em 18/10/2026 Comentários
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