Sol Flamejante do Sertão

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O CORDEL DAS PROMESSAS

Uma sátira política de Sol Flamejante do Sertão

Xilogravura O Contador de Mentiras G - assinada por J. Borges - PE (Raridade) - Paiol - Sua Loja de Artesanato

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1. O festival da promessa

No terreiro da política,

Começou a animação,

Cada candidato aparece

Com um plano na mão,

Prometendo céu e terra

Na véspera da eleição!

Promete casa e emprego,

Promete prosperidade,

Diz que vai acabar com tudo

Que atormenta a sociedade,

Mas, depois que ganha o voto,

Some a solidariedade!

2. A promessa da picanha

“Vou baratear a carne,

Vou fazer o preço cair,

O trabalhador sofrido

Vai poder se divertir,

Vai comprar sua picanha

Sem a carteira diminuir!”

O eleitor bate palmas,

Já começa a comemorar,

Mas pergunta ao candidato:

“Como é que vai executar?”

Ele coça a cabeça

E começa a desconversar!

“Eu vou estudar o assunto,

Tenho um plano especial!”

“Mas qual é o seu projeto?”

“Isso é culpa do rival!”

E a picanha na promessa

Continua no jornal!

3. A promessa da segurança

“Vou trazer paz para as ruas,

Vou combater o ladrão,

Vou reforçar as polícias,

Vou garantir proteção!”

O eleitor quer saber

Qual será a estratégia,

Se haverá mais prevenção,

Inteligência e parceria.

Mas o homem muda o rumo

E começa outra arenga!

O Fiscal do Picadeiro

Põe a mão no cinturão:

“Prometer é muito fácil,

Difícil é execução!

Segurança não se faz Só com grito e empolgação!”

4. A promessa da saúde

“Vou melhorar o nosso SUS,

Dar remédio e hospital,

Mais médicos nos municípios,

Atendimento especial!”

A plateia fica alegre,

Todo mundo quer saber:

“Qual será o orçamento?

Quem vai fazer acontecer?”

O candidato olha pro lado,

Finge que não escutou,

Fala mal do adversário

E do assunto se afastou.

O Fiscal risca o caderno:

“Essa conta não fechou!

Quem promete saúde ao povo

Diga como vai fazer,

Pois doença não espera

A eleição acontecer!”

5. A promessa do emprego

“Vou gerar milhões de vagas,

Todo mundo vai trabalhar!

O Brasil será potência,

Ninguém mais vai precisar

De bater em tanta porta

Sem resposta encontrar!”

O jovem pergunta:

“Como? Qual projeto vai lançar?”

O candidato responde:

“É preciso acreditar!”

O Fiscal bate na mesa:

“Não adianta só falar!

Queremos investimento,

Qualificação e ação,

Porque emprego não se cria

Com discurso de ocasião!”

6. A promessa da educação

“Vou construir escolas,

Professor vou valorizar,

Dar ciência e tecnologia,

Todo aluno vai estudar!”

A professora pergunta:

“E os recursos, meu senhor?

E a carreira do docente?

E o ensino de valor?”

O candidato abre um sorriso,

Faz pose para a televisão,

Diz que a culpa é do passado

E encerra a discussão.

O Fiscal grita do fundo:

“Responda à população!

Educação não é enfeite

Pra discurso de eleição!”

7. O candidato escorregadio

Tem candidato que promete

Com tremenda convicção,

Mas, se alguém pede detalhes,

Começa a tergiversação.

Perguntam sobre a comida,

Ele fala do rival;

Perguntam sobre o emprego,

Ele muda o editorial.

Perguntam sobre a saúde,

Ele inventa outro assunto;

E o eleitor fica pensando:

“Será que entendeu o conjunto?”

O Fiscal dá gargalhada:

“Que danado de talento!

Escorrega na pergunta

Mais ligeiro que o vento!”

8. A urna não é brinquedo

Minha gente sertaneja,

Preste bem muita atenção:

Não entregue o seu futuro

Por conversa de ocasião.

Pesquise as propostas feitas,

Veja a sua execução,

Compare os planos e gastos,

Cobre a prestação de contas,

Pois votar é decidir Os rumos da nação!

Não importa a cor da sigla,

Nem o nome do candidato:

Quem promete deve explicar,

Quem governa presta relato.

O poder pertence ao povo,

Isso é princípio e fato!

9. O julgamento do Fiscal

O Fiscal do Picadeiro

Fez um grande tribunal,

Não julgou por preferência

Nem por torcida eleitoral.

Colocou sobre a mesa

Cada promessa anunciada:

“Quero prazo, quero verba,

Quero a meta detalhada!”

“Se cumpriu, merece crédito;

Se falhou, explicação;

Se enganou deliberadamente,

Que responda à população!”

E o palanque ficou quieto,

Terminou a gritaria:

O povo queria respostas,

Não somente fantasia!

10. O grande refrão das promessas

Promete, promete, promete,

Mas não diz como fará!

Quando chega a hora da conta,

Dá um jeito de escapar!

Promete, promete, promete,

Quer o voto conquistar!

Mas o Fiscal do Picadeiro

Não se cansa de cobrar!

E o povo, de olho aberto,

não aceita enrolação:

quem deseja governar precisa apresentar solução!

11. O recado de Sol Flamejante

Eu sou poeta do povo,

Tenho o verso como espada,

Minha pena não se vende,

Minha voz não fica calada.

Faço graça com os poderosos,

Mas respeito a democracia;

Pois o humor, quando é consciente,

Também ensina cidadania.

Que ninguém se ache dono

Do destino da nação: O mandato é passageiro,

Mas permanece a obrigação!

Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 🔥🪢

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
Alterado em 18/10/2026


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