

🪢 O TRABALHADOR, O PATRÃO E A MATEMÁTICA DA SOBREVIVÊNCIA Um cordel satírico — uma aula de política, cidadania e educação financeira Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 🔥📜 1. O trabalhador fez a proposta O trabalhador chegou cedo, Com coragem e opinião: — Seu patrão, de hoje em diante, Quero outra negociação! Não quero ganhar mais por dia, Quero por hora, meu patrão! O patrão coçou a cabeça, Deu um sorriso amarelo: — Você tem esse direito, Vou fazer o cálculo belo! Mas quantas horas por dia Quer trabalhar no meu castelo? — Quero trabalhar três horas, Não quero mais me acabar! Duas horas pela manhã, Quando o sol vai devagar, E uma hora pela tarde, Antes do calor apertar! O patrão pegou a caneta, Fez a conta com cuidado: — Se a hora custa sete e trinta e sete, Seu salário está calculado! Três horas dão vinte e dois e onze, E o mês fica apertado! 2. A matemática entrou no terreiro Vinte e dois reais por dia, Multiplique por cinco, então: Cento e dez reais e cinquenta e cinco É o valor da semana em questão! Mas quem vive de salário Precisa fazer outra conta, patrão! Vinte e dois dias de trabalho, Na conta que ele apresentou, Quatrocentos e setenta e oito e oitenta e cinco: Foi o valor que calculou! O trabalhador olhou a cifra E quase se desmanchou! — Patrão, me diga uma coisa, Sem maldade, por favor: Com aluguel, água e luz, Com comida e com calor, Como é que eu sustento a família Com esse dinheiro, senhor? O patrão respondeu sério: — A conta eu sei calcular, Mas você precisa entender Que três horas vão gerar Menos dinheiro no fim do mês Do que um dia inteiro a trabalhar! O matuto abriu um sorriso, Com ironia e reflexão: — Pois agora eu compreendo Essa matemática, patrão! O salário não é milagre: É trabalho e remuneração! 3. O Fiscal do Picadeiro aparece Foi então que, lá da praça, Veio o Fiscal do Picadeiro, Com seu livro de promessas E um lápis no bolso traseiro: — Vamos estudar essa conta, Que o assunto é brasileiro! — Uma coisa é matemática, Outra é legislação; Uma é escolher sua jornada, Outra é a contratação. Direito não é favor Concedido pelo patrão! O fiscal abriu o livro: — Cidadão, preste atenção! No Brasil existem leis Que regulam a relação. Nem o patrão pode tudo, Nem se ignora a produção! A Constituição protege O trabalho e a dignidade; A legislação estabelece Regras de jornada e igualdade. Conhecer os próprios direitos É dever de cidadania! 4. A sátira dos discursos O político no palanque Prometeu prosperidade: — Todo mundo vai ter renda, Emprego e oportunidade! Mas o povo quer saber Onde mora a realidade! Prometeu escola boa, Saúde de qualidade, Transporte que não atrase, Moradia e dignidade. Depois da eleição, sumiu Com tamanha facilidade! O fiscal bateu o lápis: — Eu não vim fazer fofoca! Quero ver a prestação, Quero a obra, não a troca! Promessa sem resultado É balão que o vento desloca! Se o discurso é tão bonito, Se a proposta é genial, Por que falta o necessário Na periferia e no rural? Política sem fiscalização Vira um circo nacional! 5. A lição do trabalhador O matuto ergueu a voz: — Aprendi a lição, patrão! Não basta olhar o dinheiro Que aparece na mão. Preciso saber meus direitos E entender cada condição! Se eu trabalho poucas horas, Meu ganho pode diminuir; Se trabalho a jornada inteira, Mais dinheiro pode vir. Mas sem descanso e sem respeito, Ninguém consegue prosseguir! O fiscal respondeu firme: — É preciso ponderar: Tem jornada, tem contrato, Tem direitos a respeitar. Não é só fazer a conta: É saber como trabalhar! E o povo que está ouvindo Também deve compreender: Quem conhece seus direitos Tem mais força pra escolher. Cidadania não é favor: É participar e exercer! 6. O livro das promessas O fiscal abriu seu livro, Na praça, diante da gente: — Quero escola funcionando, Quero atendimento decente, Quero obra bem-feita E orçamento transparente! Quero conta explicada, Quero prazo e conclusão Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
Alterado em 18/10/2026 Comentários
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