Sol Flamejante do Sertão

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O CENTÉSIMO FAVOR

Cordel sobre a bondade,

a ingratidão e os limites do coração

O sujeito tinha bom coração,

Vivia sempre a ajudar,

Se alguém batia à sua porta,

Ele deixava entrar.

Mas ninguém lhe perguntava

Se também precisava de amparar.

Fez favor segunda-feira,

Fez na terça e no domingo,

Carregou peso dos outros,

Enxugou lágrimas, deu abrigo.

Mas quando precisou dizer “não”,

Ganhou fama de inimigo!

Noventa e nove favores,

Cada qual com seu valor,

Mas o centésimo negado

Apagou todo o amor?

Quem só ama o nosso “sim”

Não conhece o nosso valor!

Refrão

Não deixe morrer seu coração,

Nem se entregue à amargura,

Faça o bem com consciência,

Mas proteja sua ternura.

Bondade não é escravidão,

Nem favor é obrigação!

Quem ajuda não compra amigos,

Nem exige gratidão,

Mas quem recebe também precisa

Ter respeito e compreensão.

Pois ninguém nasceu neste mundo

Pra viver de servidão!

Se um dia faltar-lhe força,

Se o dinheiro não chegar,

Se a vida fechar caminhos

E você não puder ajudar,

Quem lhe ama de verdade

Não vai deixar de lhe respeitar!

Moral do cordel

Faça o bem porque acredita

Na beleza de servir,

Mas não permita que alguém

Faça sua alma sucumbir.

Quem tem bondade no peito

Também tem direito de dizer:

“não posso hoje, meu amigo”.

Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 🔥📜

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026


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