

🪢 O FISCAL DO PICADEIRO E A REPÚBLICA DA ENROLAÇÃO Cordel satírico do circo da política brasileira Autoria: Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 🔥📜 1. O circo da política Abriu-se o grande circo, No meio da confusão, Com político fazendo graça E discurso de eleição. O povo comprou a promessa, Mas não viu a solução! Tinha mágico no palco, Tinha palhaço falador, Tinha artista do discurso Se dizendo trabalhador. Mas, na hora do serviço, Desaparecia o ator! 2. Entra em cena o Fiscal Foi chegando um cabra arretado, De chapéu de couro e gibão, Com uma caneta no bolso E um caderno na mão. Era o Fiscal do Picadeiro, Fiscalizando a enrolação! Trazia um livro pesado, Com o título bem traçado: “Livro das Promessas Não Cumpridas”, De cada político anotado. Quem prometeu e não cumpriu Seria agora questionado! 3. O malabarista das promessas O primeiro fez discurso: “Vou resolver tudo, sim! Vai ter escola, vai ter emprego, Prosperidade sem fim!” O Fiscal perguntou: “Quando?” Ele respondeu: “Depois, enfim!” “Prometi construir estradas, Dar saúde e habitação!” O Fiscal abriu seu livro: “Mostre a comprovação! Promessa não enche barriga, Nem resolve a situação!” 4. O mágico do orçamento Subiu ao palco o mágico, Com cartola e paletó, Mostrou uma verba enorme, Depois fez desaparecer só! O Fiscal gritou: “Espere! Explique esse truque, meu xodó!” “Cadê o dinheiro público? Pra onde foi parar? Se entrou nos cofres do povo, Alguém tem que explicar!” O mágico tossiu três vezes E começou a gaguejar! 5. O palhaço da desculpa Veio então o palhaço, Com gravata e nariz vermelho, Dizendo: “Não fiz a obra Porque faltou o aparelho!” O Fiscal puxou seus óculos: “Essa desculpa é velha, meu velho!” Se a culpa é do outro, Se o problema é do passado, Se o dinheiro foi embora, Se o projeto foi travado, O Fiscal pergunta firme: “Quem responde pelo estrago?” 6. O refrão do Fiscal Ô, Fiscal do Picadeiro, Não deixe a conta sumir! Prometeu diante do povo, Tem que depois conferir! Se o discurso é bonito, Cadê a obra pra exibir? Ô, Fiscal do Picadeiro, Com seu livro e seu chapéu, Cobre de todos os lados, Sem deixar ninguém ao léu! O dinheiro é do povo, Não caiu lá do céu! 7. A inspeção geral O Fiscal foi à Câmara, Foi ao gabinete também, Perguntou pelos projetos, Pelas obras e pelo trem. “Quero ver prestação de contas, Pois o povo merece o bem!” Visitou cada ministério, Cada órgão e repartição, Examinou os contratos, Cobrou transparência e ação. “Quem administra o dinheiro Deve satisfação à nação!” Não queria privilégio, Nem vingança, nem favor, Só queria ver cumprida A palavra do gestor. Pois fiscalizar é direito De quem paga e é eleitor! 8. O encerramento do espetáculo O Fiscal fechou seu livro, Mas não deixou de avisar: “Enquanto existir promessa, Eu estarei a fiscalizar! O povo não é plateia Que só nasceu pra aplaudir e pagar!” E se a lona for bonita, Mas faltar o essencial, Não adianta ter aplauso Nem discurso monumental. Quando acaba o espetáculo, Quem responde é o povo real! Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão 🔥📜 Continua no próximo capítulo: o Fiscal do Picadeiro vai investigar a panela dos privilégios e o camarote dos poderosos! Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026
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