Sol Flamejante do Sertão

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Textos


🪢 O CIRCO DA POLÍTICA E A CORRIDA DESIGUAL

Cordel nordestino de protesto social e político

Antônio Laurentino — Sol Flamejante do Sertão

I — O PALANQUE E A PROMESSA

Vou abrir minha viola,

Com licença, minha gente,

Pra falar dessa política

Que confunde tanta gente;

Tem discurso açucarado

E promessa até demais,

Mas na hora do resultado

Queremos ver muito mais!

Na cidade e no sertão,

Lá na feira ou na calçada,

Tem político que aparece

Com conversa preparada;

Dá abraço, aperta a mão,

Diz que o povo é seu tesouro,

Mas o povo quer serviço,

Não somente fala de ouro!

II — A CORRIDA DESIGUAL

Tem menino com escola,

Livro, curso e computador,

Tem menino sem merenda,

Sem recurso e sem favor;

Como é que a gente compara

Essa largada desigual,

E depois chama de preguiça

Quem enfrenta um temporal?

Um já nasce com caminho,

Outro luta pra chegar,

Um dispõe de mil recursos,

Outro mal pode estudar;

O esforço é importante,

Isso eu não vou contestar,

Mas sem chance e sem acesso

Fica difícil avançar!

III — O MÉRITO E A JUSTIÇA

Meritocracia, minha gente,

É um tema a discutir:

Quem trabalha merece,

Tem direito de progredir;

Mas fingir que todo mundo

Tem as mesmas condições

É fechar os próprios olhos

Para antigas privações!

Não queremos vida fácil,

Nem favor de figurão,

Queremos escola forte,

Saúde e profissão;

Que o talento da favela,

Do roçado e do sertão

Tenha a mesma oportunidade

De mostrar sua criação!

IV — A BOLSA E A FOME

Quando a fome bate à porta,

Não espera o amanhã,

Não se alimenta de discurso,

Nem de promessa vã;

Se uma família está sem nada,

Sem emprego e sem sustento,

Uma ajuda é necessária

Pra enfrentar aquele momento!

Mas o sonho de quem recebe

Não é viver de favor:

É ter emprego e salário,

Ter futuro promissor;

Assistência abre uma porta

Quando a vida aperta o nó,

E a política bem feita

Não abandona quem está só!

V — O CIRCO DO PODER

Tem palhaço no discurso,

Tem mágico no salão,

Tem promessa que aparece

E desaparece do chão;

Mas o povo não é bobo,

Nem nasceu pra ser plateia:

Quer saber cadê a obra,

Cadê a verba, cadê a ideia!

Na campanha é todo mundo

Muito amigo e popular,

Depois some o candidato

Quando o povo vai cobrar;

Se prometeu, dê resposta,

Se falhou, venha explicar,

Pois mandato não é trono

Pra ninguém se eternizar!

VI — A CONTA DO DINHEIRO PÚBLICO

O dinheiro arrecadado

Tem destino a respeitar:

Vai pra escola, vai pra estrada,

Vai pra quem precisa tratar;

Não pertence ao gabinete,

Nem a grupo eleitoral,

É recurso da sociedade,

É patrimônio nacional!

Se aparece alguma denúncia,

Investigue com rigor;

Se houver prova, que a Justiça

Responsabilize o infrator;

Mas não condene por boato,

Nem absolva por paixão:

A verdade não tem dono,

Nem partido, nem patrão!

VII — DIREITA, ESQUERDA E CENTRO

Tem quem goste da direita,

Tem quem siga a esquerda também,

Tem quem prefira o centro,

Cada qual sabe o que tem;

Mas nenhum lado é sagrado,

Nem ninguém está acima:

Quem governa deve contas,

Não importa a própria sigla!

Não transforme a sua escolha

Num motivo pra brigar,

Pois votar é um direito,

E pensar é respeitar;

Pode haver divergência,

Pode haver discussão,

Mas o povo perde tudo

Quando vence a divisão!

VIII — O POVO É QUEM PAGA

Quando a escola está caindo,

Quando falta o hospital,

Quando a rua vira lama,

O prejuízo é geral;

Quem tem dinheiro se protege,

Quem não tem sofre dobrado,

E o pequeno trabalhador

Paga o preço mais pesado!

Por isso eu peço atenção,

Minha gente sertaneja:

Não confie só no sorriso,

Nem na fala que corteja;

Leia os dados, cobre as contas,

Veja a ação, não só o plano,

Pois promessa sem entrega

Vira engano ano após ano!

IX — O GRITO DA CIDADANIA

Eu não canto por vingança,

Nem por ordem de patrão,

Canto pela consciência,

Pela voz da população;

Quero o pobre respeitado,

Quero o rico sob a lei,

Quero o público bem gasto,

Quero o direito que ganhei!

Que se cobre de quem governa,

Que se fiscalize a gestão,

Que a Justiça examine os fatos,

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/10/2026


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