Sol Flamejante do Sertão

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Textos

O CORDEL DO MINISTRO, DA TUBAÍNA E DA BOQUINHA
1. O REBULIÇO NO TERREIRO
Minha gente, dê licença,
Que eu cheguei pra versejar,
Tem notícia no terreiro
Que merece se contar.
Quando o assunto é autoridade,
O cabra começa a suar!
Peguei papel e caneta,
Preparei meu matulão,
Pois tem história de Brasília
Que virou inspiração.
É cada nó nessa política
Que confunde até sermão!
2. O CONCURSO FANTASMA
Perguntaram ao sujeito:
— Fez concurso pra chegar?
Ele disse: — Minha gente,
Não foi assim que fui entrar!
E o poeta, desconfiado,
Começou a matutar.
Mas cuidado, minha gente,
Não se deve confundir:
Há caminhos previstos em lei
Para certos cargos existir.
O problema não é só a entrada,
É o que se faz depois de subir!
3. A TAL DA BOQUINHA
A palavra é engraçada,
Faz o povo gargalhar,
Mas, quando chega ao tribunal,
Dá vontade de perguntar:
Foi a regra da Constituição
Ou alguém veio empurrar?
Se a nomeação foi legal,
Que se explique com clareza;
Se há dúvida sobre os critérios,
Que se mostre a natureza.
Pois cargo público exige
Responsabilidade e firmeza!
4. A TUBAÍNA DE BRASÍLIA
Dizem que a Tubaína
Entrou na conversação,
Virou quase personagem
Dessa grande confusão.
Se foi piada ou foi verdade,
Que se faça a apuração!
Imagine a cena, meu povo,
Que parece até novela:
Um refrigerante na mesa,
Uma conversa na janela,
E o futuro de um tribunal
Entrando no meio dela!
O poeta dá risada,
Mas não perde a seriedade:
Refrigerante não é prova,
Nem amizade é ilegalidade.
O que importa é investigar
Com rigor e imparcialidade!
5. O DOUTOR DO DIPLOMA
Agora vem outra história
Que provoca discussão:
Tem currículo na berlinda,
Tem título em interrogação.
Mas, antes de apontar o dedo,
Vamos conferir a documentação!
Qual foi o curso realizado?
Que diploma apresentou?
Qual instituição estrangeira
O título certificou?
Se houver alguma divergência,
Que se explique o que ocorreu!
Porque, neste meu Nordeste,
Aprendi desde menino:
Não se mede um homem inteiro
Pelo título ou pelo ensino.
Mas quem apresenta um currículo
Tem que ser claro e genuíno!
6. O HERDEIRO DA INDICAÇÃO
E no meio desse enredo
Surge o filho do capitão,
Flávio Bolsonaro aparece
Na política da indicação.
E o povo pergunta, curioso:
— Quem escolheu? Com qual razão?
Ser indicado não é crime,
Nem motivo pra condenar.
Mas quem chega a um alto cargo
Tem dever de demonstrar
Que a Justiça não se curva
A quem possa lhe indicar!
7. A ACADEMIA DAS AMIZADES
Se amizade desse diploma,
Eu virava professor!
Tinha curso de compadrio,
Pós-graduação em favor,
E mestrado em apertar mãos
Com político de valor!
Mas, se a vaga é importante,
A regra tem que valer.
Não basta conhecer gente,
Nem ter padrinho pra oferecer.
A confiança na Justiça
Todo dia tem que crescer!
8. O REFRÃO DA RISADA
Ô, Tubaína, minha amiga,
Que confusão tu foi arrumar!
Viraste estrela de cordel,
Todo mundo quer te escutar!
Ô, Brasília, abre a janela,
Deixa o povo perguntar:
Se a Justiça é de todos,
Quem tem medo de explicar?
Quem indica, quem escolhe,
Quem confere a formação?
O Brasil quer transparência,
Não conversa de salão!
9. A LIÇÃO DO SERTÃO
No sertão de onde eu venho,
Aprendi uma verdade:
Quem ocupa uma cadeira
Deve agir com dignidade.
Pois o poder passa depressa,
Mas permanece a responsabilidade!
Não condeno sem prova,
Não protejo por paixão.
Quero a lei valendo igual
Para toda a população.
E que a Justiça seja livre,
Sem cabresto ou indicação!
10. O FECHAMENTO ARRETADO
Termino aqui meu cordel,
Com humor e provocação,
Se a política é um teatro,
O povo não é figurão!
É quem paga a conta inteira
E merece explicação!
Que se investigue o que for justo,
Que se esclareça a questão.
Pois a verdade não tem dono,
Nem partido, nem patrão.
A Justiça não é herança,
E o Brasil não é balcão!
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 16/10/2026
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