Sol Flamejante do Sertão

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Textos


O CIRCO DA POLÍTICA BRASILEIRA

🎪 1. ABRAM AS CORTINAS!

Senhoras e meus senhores, Atenção, que vai começar! O circo da política Já mandou a lona armar. Tem discurso, tem promessa, Tem artista a se apresentar!

O palhaço da esperança Vem sorrindo no portão, Com um pacote de promessas E um megafone na mão. Diz que vai mudar o mundo, Consertar a situação!

O povo chega animado, Compra ingresso com suor, Uns trabalham a vida inteira, Outros vivem sem favor. E a pergunta da plateia: — Será que agora vai ser melhor?

🤹 2. O MALABARISTA DAS PROMESSAS

Entra o grande malabarista, Com três bolas pelo ar: Uma bola é o emprego, Outra é a fome a acabar, A terceira é a promessa De que tudo vai melhorar!

Ele joga, ele equilibra, Faz pirueta no salão, Diz que tem plano pra tudo, Que conhece a solução. Mas, quando acaba o espetáculo, Cadê a prestação?

— Meu senhor, cadê o emprego? — Minha senhora, cadê o pão? — E o preço lá do mercado? — E o dinheiro do cidadão?

O artista coça a cabeça, Olha para o camarote: — Isso estava no programa, Mas sumiu dentro do pacote!

🪄 3. O MÁGICO DO ORÇAMENTO

Chega o mágico elegante, Com cartola e paletó, Diz que vai fazer milagre Sem deixar ninguém no pó.

Põe o orçamento na mesa, Faz um gesto com a mão, E aquilo que era público Vira uma interrogação!

— Cadê a verba da escola? — Cadê a obra do hospital? O mágico abre a cartola: — Está tudo no relatório oficial!

O povo pede explicação, Ele responde com fumaça, Mas relatório sem clareza Não resolve o que se passa.

Pois milagre na política Não se faz com ilusão: Tem que mostrar cada gasto, Cada obra e prestação!

🤡 4. O PALHAÇO DO PALANQUE

Entra o palhaço do palanque, Com gravata e sapato brilhante, Diz que ama todo o povo, Que será seu representante.

Abraça velho e criança, Cumprimenta até o poste, Tira foto com a feira, Faz discurso de bom gosto!

Na campanha, é um abraço, É sorriso e cortesia; Todo mundo é seu amigo, Todo pobre é alegria.

Mas o povo já aprendeu A fazer comparação: Uma coisa é o discurso, Outra é a administração!

🪢 5. O EQUILIBRISTA DO MURO

Vem agora o equilibrista, Caminhando sobre o muro, Se a plateia grita à esquerda, Ele olha para o futuro.

Se a direita bate palma, Ele muda a direção, Não quer perder os aplausos Nem desagradar o patrão.

O segredo desse artista É uma grande habilidade: Nunca assume compromisso Sem medir a popularidade!

Mas o povo pergunta, firme, Sem perder a educação: — O senhor defende o quê? — Qual é sua posição?

Equilíbrio é importante, Mas não pode ser disfarce. Quem representa o povo Precisa explicar sua parte!

🦁 6. O DOMADOR DE LEÕES

Surge o domador valente, Com chicote e cinturão, Diz que doma qualquer fera E controla a situação.

Mas os leões são as crises, Os problemas do país, E não basta dar ordem Para tudo criar raiz.

Tem inflação, tem desemprego, Tem saúde e educação; Não se doma a vida pública Só com grito e imposição!

O domador faz pose, O leão começa a rugir, E a plateia logo pergunta: — Que proposta vai surgir?

🎟️ 7. O CAMAROTE DOS PRIVILEGIADOS

Lá no alto do camarote, Tem cadeira acolchoada, Tem convite reservado, Tem conversa bem fechada.

Na plateia, o trabalhador Conta as moedas no bolso, Enquanto olha para cima E ajeita o próprio almoço.

E o poeta lança a pergunta, Sem acusar ninguém em vão: — As regras valem para todos Ou mudam conforme a posição?

Se o dinheiro é público, A conta tem que aparecer. Privilégio sem explicação É pergunta a responder!

🎶 8. O GRANDE REFRÃO DO PICadeIRO

Ô, abre a lona, minha gente, Deixa o povo perguntar! Quem promete para o Brasil Tem que explicar e trabalhar!

Tem malabarista de fala, Tem mágico da explicação, Mas o povo quer resultado, Não somente encenação!

Ô, abre a lona, minha gente, Que a plateia quer saber: Quem recebeu o nosso voto Tem compromisso a cumprir!

🗳️ 9. A BILHETERIA DA ELEIÇÃO

Chega a hora da bilheteria, O espetáculo vai mudar, O eleitor segura o voto E começa a avaliar.

Não existe ingresso grátis Quando se fala em eleição: Cada escolha tem consequências Para toda a população.

O candidato pode rir, Pode cantar e prometer, Mas depois da festa pronta Tem trabalho a fazer!

O voto não compra milagre, Nem transforma alguém em rei. É instrumento de escolha Dentro da força da lei!

🌵 10. A MORAL DO CIRCO

Meu amigo, minha amiga, Vou fechar o picadeiro: O Brasil não é brinquedo, Nem negócio particular. É de quem levanta cedo E ainda encontra força pra lutar!

Que se cobre de quem governa, Que se fiscalize a gestão, Que a Justiça examine os fatos, Que se respeite a Constituição.

Pois a sátira faz rir, Mas também faz refletir: Quando acaba o espetáculo, É o povo que fica aqui!

E se a lona for bonita, Mas faltar o essencial, Não adianta ter aplauso: Tem que haver resultado real!

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 16/10/2026
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