

QUANDO A CHUVA LEVA UM LAR1. O aviso da tempestade Quando a chuva desabou, São Paulo sentiu o açoite, O céu escureceu depressa, Transformando o dia em noite, E a água desceu com força, Espalhando medo e açoite. 2. A cidade parou Carros boiavam nas ruas, O trânsito se embaralhou, O túnel virou um lago, Muita gente se assustou, E a força daquela chuva Toda a cidade abalou. 3. A tragédia na encosta Na região da Brasilândia, Uma tragédia aconteceu, Uma mulher de quarenta e sete, Sua própria casa perdeu, E a terra desceu com força, Quando o barranco cedeu. 4. A casa e os sonhos A casa guarda lembranças, De uma vida construída, Tem retratos, tem histórias, Tem esperança repartida, Mas ninguém imagina A dor de uma despedida. 5. O marido voltou O marido ouviu na rua A notícia do desabamento, Voltou correndo pra casa, Carregando o sofrimento, E encontrou entre destroços A dimensão daquele tormento. 6. A coragem dos vizinhos Os vizinhos se juntaram, Numa luta pra salvar, Entre a lama e os escombros, Sem deixar de acreditar, Pois quando alguém está em risco, É preciso se importar. 7. A notícia mais triste Mas a vida foi vencida, Pela força da ocasião, E a mulher perdeu a vida, Deixando imensa aflição, Uma família mergulhada Na mais profunda solidão. 8. Não é só a natureza A chuva não tem endereço, Nem conhece distinção, Mas há casas mais expostas Às tragédias da inundação, E prevenir esses riscos É dever da população. 9. O dever de prevenir É preciso olhar os morros, Ver o solo e a drenagem, Proteger quem mora em risco, Dar à vida mais vantagem, Pois prevenir desastres É compromisso e coragem. 10. A dor que fica Quando o temporal termina, Volta o sol ao horizonte, Mas a dor daquela família Não se apaga como a fonte, Pois saudade não conhece Nem distância, nem ponte. 11. Um apelo à consciência Que se cuide de quem mora Onde a terra pode ceder, Que os alertas cheguem cedo, Que haja abrigo e proteção, Pois nenhuma vida humana Deve ser tratada em vão. 12. O recado do poeta Minha pena agora escreve Com tristeza e emoção, Não transforma a dor em festa, Nem explora a aflição, Faz da perda um chamado À consciência e à prevenção. 13. A última palavra Quando a chuva leva um lar, Fica a marca da saudade, E a cidade tem de aprender A cuidar da humanidade, Pois salvar vidas é sempre O maior bem da cidade. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 15/10/2026
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