

1. Chegou o grande vendedorMinha gente, preste atenção, Que eu vou contar um causo, Uma história tão danada Que merece até aplauso! Tem vendedor de água santa Fazendo um grande reboliço, Prometendo mil milagres Por um preço nada omisso! 2. A água do velho NiloDizem que essa água veio Lá das bandas do Egito, Onde o sol queima a cabeça E o calor parece infinito! E anunciaram com firmeza, Com discurso bem tranquilo: “Essa água foi bebida Por Moisés no rio Nilo!” 3. Moisés virou garoto-propagandaEu fiquei de boca aberta, Sem saber o que pensar: Será que o velho Moisés Veio a vida inteira esperar Que, depois de tantos séculos, Sua fama fosse servir Pra vender garrafa d'água E fazer o povo abrir? O homem abriu o Mar Vermelho, Isso a Bíblia nos contou, Mas vender água engarrafada Foi novidade que chegou! Se Moisés soubesse disso, Talvez fosse reclamar: “Eu libertei meu povo, Não vim garrafa anunciar!” 4. A promoção celestialO preço era cento e noventa, Mas fizeram redução: Cento e trinta pela garrafa, Que beleza de promoção! O milagre está barato, Diz o anúncio com fervor, Mas quem anda sem dinheiro Não consegue nem desconto, senhor! Se o céu entrou na liquidação, Eu pergunto, meu irmão: Será que Deus autorizou Essa grande promoção? Ou foi algum comerciante Que, com muita habilidade, Transformou a sede do povo Em negócio de oportunidade? 5. A água que resolve tudoBeba um gole dessa água, Que a vitória vai chegar! Se tiver qualquer problema, Pode até se endireitar! Mas se a conta está vencida, Se o aluguel vai cobrar, Será que a água do Nilo Vai o boleto pagar? Se o emprego está difícil, Se a comida está faltando, Se o trabalhador se aperta E o salário vai minguando, Não basta vender esperança Dentro de um vidro fechado: O povo precisa de justiça E de respeito garantido! 6. O milagre no cartãoTem promessa no balcão, Tem garrafa abençoada, Tem anúncio de vitória E promoção anunciada! Mas a fatura do cartão Não conhece devoção: Ela chega todo mês Sem pedir autorização! O gerente não se comove, O banco não quer saber Se a garrafa trouxe bênção Ou se fez o mal desaparecer! A prestação bate à porta, Não pergunta se há unção: Quer o dinheiro de volta, Sem aceitar oração! 7. O povo quer explicaçãoNão se brinca com a fé De quem vive na esperança, De quem enfrenta a pobreza Sem perder a confiança! Mas usar a fé alheia Pra fazer multiplicação É assunto muito sério Que merece explicação! Quem anuncia um milagre Deve explicar com clareza O que vende, o que promete, Sem explorar a pobreza! Porque a fé é coisa séria, Não se vende em promoção, E a esperança de um povo Não é mercadoria, não! 8. O desafio do poetaEu desafio o vendedor, Sem gritaria nem rancor: Mostre a origem dessa água, Explique tudo, por favor! Se a história é verdadeira, Não precisa se esconder; Se promete maravilhas, Tem que explicar o que vender! Não acuso sem provas, Não condeno sem razão, Mas não fecho os meus olhos Diante da exploração! O poeta tem sua pena, O povo tem sua voz, E a verdade, quando chega, Fala mais alto por nós! 9. O grande finalEssa água foi bebida Por Moisés no rio Nilo? Foi o anúncio que eu ouvi, Com seu jeito tão tranquilo! Cento e noventa era o preço, Cento e trinta na promoção, E o poeta fez da história Um cordel de indignação! Se Moisés abriu o mar, Não abriu loja de água! Quem tem sede de justiça Não se satisfaz com mágoa! Que a fé seja respeitada, Que ninguém venda ilusão, E que o povo tenha sempre Consciência e proteção! Porque a água mata a sede, Mas não compra a salvação! Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 13/10/2026
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