

O CORDEL DA CURA DA DEPRESSÃOA notícia se espalhou A notícia correu longe, Pelo sertão e cidade, Cada qual dava um palpite, Com a maior sinceridade, E o poeta foi anotando Os rumores da novidade! O mistério do sonho O cabra deitou tristonho, Com desgosto e amargura, Foi dormir sem esperança, Procurando uma aventura, Sonhou com Valdomiro, E acordou achando cura! A feira virou debate Na barraca do feijão, O assunto era danado: — Foi milagre verdadeiro! — Foi um sonho bem contado! E um matuto respondeu: — Quero ver comprovado! O doutor ficou intrigado O doutor coçou a barba, Sem saber o que dizer: — Conte tudo, meu amigo, Que eu preciso compreender! — Foi Valdomiro no sonho, E eu não parei de rir ao amanhecer! A propaganda e a promessa Quando o assunto dá dinheiro, Todo mundo quer falar, Tem promessa de esperança, Tem anúncio pelo ar, Mas quem vende cura fácil Tem mais contas a prestar! O poeta dá seu recado Não se brinca com a tristeza, Nem com a dor de um cidadão, Quem enfrenta a depressão Merece consideração; Não se vende um milagre Sem nenhuma comprovação! O cordel fecha com humor Fui dormir desanimado, Com tristeza e agonia, Sonhei com Valdomiro, E acordei cheio de alegria! Se isso é cura ou coincidência, Só o tempo esclareceria! O arremate do Sertão Vou guardar minha viola, Minha pena e meu papel, Pois o riso também ensina, Quando é justo e tem fiel; E quem faz sátira com graça Põe consciência no cordel! Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 13/10/2026
Alterado em 13/10/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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