Sol Flamejante do Sertão

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Textos


Pôr Sol Flamejante do Sertão

Vou pegar minha viola,

Minha caneta e papel,

Pra fazer uma pergunta

Que ecoa feito um tropel:

Se a missão é servir,

Cadê o serviço fiel?

Tem igreja centenária,

Tem congresso e pregação,

Tem discurso inflamado,

Tem louvor e oração.

Mas o povo também cobra

Obras de transformação.

Cadê hospital gratuito

Pra acolher quem sente dor?

Cadê abrigo para o idoso,

Com cuidado e com amor?

Cadê o apoio concreto

Ao humilde sofredor?

Cadê escola acessível,

Faculdade e formação?

Cadê bolsa de estudos

Pra quem não tem condição?

Cadê a porta aberta

Para a filha do povão?

Não se mede uma igreja

Pelo tamanho do altar,

Nem somente pelos templos

Que consegue levantar.

A grandeza também se mede

Pelo bem que pode espalhar.

Se há projetos de assistência,

Venham todos conhecer!

Mostrem onde estão as obras,

Quem consegue receber,

Quais serviços são gratuitos,

Quem precisa e pode ter.

Não é guerra contra a fé,

Nem desprezo à oração;

Há cristãos fazendo o bem,

Estendendo a própria mão.

Mas a pergunta é legítima:

Cadê a transformação?

Se pregamos caridade,

Que ela saia do sermão;

Que visite o abandonado,

Dê apoio ao cidadão.

Que o amor não fique preso

Entre as paredes do salão.

Jesus falou de amor,

De cuidar de quem tem dor;

De acolher o pequenino,

Dar abrigo ao sofredor.

A mensagem ganha força

Quando vira gesto de amor.

Não condeno uma igreja

Sem conhecer sua missão;

Mas quem tem obra que mostre,

Com clareza e precisão.

Transparência fortalece

A confiança do cristão.

Se há escola, diga o nome;

Se há abrigo, mostre o chão;

Se há hospital mantido,

Informe a localização.

Fato concreto vale mais

Que discurso e exaltação.

Meu Nordeste tem coragem,

Tem poesia e tem razão;

Patativa deu ao povo

Voz, memória e expressão.

Hoje eu canto por justiça,

Com respeito e convicção.

Não basta dizer “eu amo”,

É preciso demonstrar;

Quem anuncia caridade

Tem um bem a compartilhar.

Pois a fé que olha o próximo

Tem mais força ao praticar!

— Sol Flamejante do Sertão

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/10/2026


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