

CADÊ AS OBRAS, MINHA IGREJA? Cordel de protesto e consciência social Por Sol Flamejante do Sertão Vou abrir minha viola, Minha rima e meu repente, Pra fazer uma pergunta Que inquieta muita gente: Depois de tantos anos, Quais são os frutos presentes? Tem templo de porta aberta, Tem congresso e pregação, Tem promessa de milagre, Tem fervor e oração. Mas o povo também pergunta: Cadê a transformação? Cadê hospital gratuito, Pra acolher quem sente dor? Cadê o amparo ao idoso, Com cuidado e com amor? Cadê a obra permanente Que socorre o sofredor? Cadê escola acessível, Faculdade e formação? Cadê bolsa de estudo Pra quem não tem condição? Cadê o investimento Na cultura e educação? Não basta contar os anos, Nem grandeza de fachada; Uma história centenária Precisa ser examinada. Que se mostre o que foi feito, Que a verdade seja honrada! Se uma igreja tem recursos, Que apresente seu papel; Se mantém obra de ajuda, Que divulgue o que é fiel. Transparência não ofende, É compromisso com o céu. Não condeno quem tem fé, Nem quem vive em oração; Há cristãos que dão a vida Pelo próximo, em união. Mas a pergunta permanece: Cadê a ação social? Se pregamos caridade, Que ela saia do sermão; Que visite o abandonado, Dê apoio ao necessitado, Estenda a mão ao irmão. Não confunda fé com lucro, Nem riqueza com bondade; Uma obra que transforma Deixa marcas na cidade. O serviço ao semelhante É sinal de humanidade. E se existe uma instituição Que mantém obra exemplar, Que apresente seus projetos, Venha o povo conhecer, Pois quem trabalha pelo próximo Tem motivo pra mostrar. Meu protesto não é contra A oração ou devoção; É um pedido de coerência, De serviço e prestação. Que a palavra vire prática, Que floresça a compaixão! Se a mensagem é o amor, Que o amor possa aparecer! Se a missão é servir, Que se possa conhecer! Pois a fé também se expressa No que fazemos por quem precisa viver. — Sol Flamejante do Sertão Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/10/2026
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