

QUEM TEM MEDO DA VERDADE? Cordel de consciência e protesto Por Sol Flamejante do Sertão Vou abrir minha viola, Minha rima e meu repente, Pra falar de um assunto Que preocupa muita gente: Fé não pode ser prisão, Nem mordaça na razão de quem busca ser consciente. Respeitar a fé alheia É dever de todo irmão, Mas respeito não significa Silenciar a opinião. Quem caminha pela luz Não precisa de capuz Pra esconder a própria ação. Tem pastor de vida honesta, Que trabalha por amor, Que aconselha, que acolhe, Que alivia a nossa dor. Mas quem veste a santidade Tem dever de honestidade E de agir com retidão e valor. Se alguém usa o nome santo Pra impedir investigação, Transformando a fé do povo Em escudo e proteção, É preciso ter cuidado, Pois ninguém está dispensado De responder por sua ação. Dizem: “Não toque no ungido!”, E a pergunta fica no ar: Será que essa frase impede Alguém de questionar? A palavra pede contexto, Estudo sério e respeito, Pra verdade clarear. Davi encontrou o rei Saul E não quis lhe fazer mal; Essa história é conhecida Pelo registro ancestral. Mas ler a Bíblia com cuidado É dever de quem tem estudado Seu sentido original. Nos Salmos há uma advertência Contra o mal ao consagrado; Mas compreender tais palavras Exige olhar cuidadoso. Não se pode, por interesse, Usar a fé como prece Pra fugir do exame honesto. Pastor não é intocável, Nem político também; Cargo, fama ou púlpito Não fazem alguém além Da justiça e da verdade, Da lei e da responsabilidade Que todo cidadão tem. Se existe alguma denúncia, Que se apure com rigor; Com provas e transparência, Sem calúnia e sem rancor. Nem condenação apressada, Nem denúncia sufocada: Justiça exige valor. Não confundam a igreja Com quem busca se esconder; Há milhões de bons fiéis Que só querem bem viver. Criticar uma conduta Não é declarar a luta Contra a fé de quem crê. A verdade não tem partido, Não pertence a um só lugar; Não precisa de ameaça Para alguém acreditar. Quem defende a consciência Deve agir com paciência E deixar a luz entrar. Meu Nordeste tem palavra, Tem coragem de cantar; Quando a injustiça aparece, O poeta vai rimar. Com respeito e consciência, Sem temor da prepotência, Põe a verdade pra falar! E fica aqui meu recado, Que a consciência conduz: Fé não é autorização Pra esconder erro ou abuso. Que o amor seja o caminho, Que ninguém caminhe sozinho, E a verdade encontre luz! — Sol Flamejante do Sertão Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/10/2026
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