

CORDEL DOS SENTIMENTOS RAP PESADO — Sol Flamejante do Sertão [ABERTURA — VOZ GRAVE, BATIDA PESADA E CORAÇÃO] Acorda, meu povo, escuta o trovão, Sentimento não é fraqueza, é munição. Quem carrega cicatriz conhece o peso, Mas transforma cada queda em recomeço. Tem tristeza que ensina na marra, Tem saudade que queima e não para. Tem amor que chega quebrando o portão, Mas salva o que restou dentro do coração. [VERSO 1] Há quem esconda o próprio pranto, Finge ser aço, mas sangra por dentro. Segura o grito, disfarça o quebranto, Enquanto a mente enfrenta seu tormento. Até a chuva precisa cair, Até o céu desaba antes de abrir. Não existe peito blindado o tempo inteiro, Todo gigante também sente medo verdadeiro. Quando o coração aperta, pede atenção, Não é drama, é sinal de pressão. Alma de ferro? Isso é conversa vazia, Todo peito tem guerra, toda noite tem dia. A alegria chega ligeira, sem avisar, Pula o muro, invade o lugar. Se abrir a janela e deixar ela entrar, Ela finca raiz e começa a ficar. [REFRÃO — CORO FORTE] Sentimentos, venham cá, Façam tremer o terreiro! Cada lágrima é semente, Cada abraço é candeeiro! Sentimentos, podem vir, Sem medo de se mostrar; Quem encara a própria alma Não deixa o mundo lhe quebrar! [VERSO 2] A saudade é estrada de chão batido, Leva ao passado, ao que foi vivido. Traz cheiro de casa, voz de quem partiu, Marca no peito o amor que existiu. A esperança é fogo no meio da escuridão, Brasa escondida debaixo do chão. Quando a noite tenta mandar e vencer, Ela cospe faísca e faz renascer. Coragem não é nunca sentir temor, É andar com medo sem negar a dor. É seguir tremendo, mas sem recuar, Com a verdade no peito pronta pra lutar. Se a vida cobra caro, eu pago com atitude, Se a queda me marca, eu volto mais rude. Não sou feito de pedra, sou feito de história, Cada ferida virou parte da vitória. [PONTE — BATIDA CORTANTE E PALMAS] Se a tristeza bater, deixa ela falar, Mas não dá teu destino pra ela mandar. Toda dor acolhida pode se acalmar, Mas dor sufocada aprende a dominar. Se o amor chegar quebrando o silêncio, Não tranca a porta por medo do preço. Coração fechado vira cela e prisão, Quem não deixa entrar também perde a salvação. [REFRÃO — REPETE COM CORO] Sentimentos, venham cá, Façam tremer o terreiro! Cada lágrima é semente, Cada abraço é candeeiro! Sentimentos, podem vir, Sem medo de se mostrar; Quem encara a própria alma Não deixa o mundo lhe quebrar! [VERSO 3 — RAP FALADO] Não condeno quem se cala, eu conheço esse lugar, Tem batalha que ninguém consegue enxergar. Cada peito tem seu tempo, cada um sabe o que sofreu, Mas carregar tudo sozinho quase sempre adoeceu. Procura uma mão amiga, não confunde com fraqueza, Pedir ajuda é estratégia, é sinal de firmeza. Tem gente que compreende, tem abraço verdadeiro, Nem todo mundo que se aproxima vem cobrar dinheiro. O perdão não apaga o que aconteceu, Não muda a ferida nem desfaz o que doeu. Mas corta as correntes que prendiam teus passos, Devolve tua voz e desmonta os fracassos. Não sou refém do passado, não abaixo a cabeça, Minha dor tem nome, mas não me atravessa. O que tentou me destruir virou combustível, Hoje eu piso mais forte, meu avanço é inevitável. [INTERLÚDIO — VOZ FALADA, GRAVE] Escuta, meu povo: Sentir não é perder a força. Chorar não é desistir. Pedir ajuda não é vergonha. E amar ainda é resistir. A vida tem espinhos, tem golpe, tem fim, Mas também tem jardim florescendo em mim. Quem cuida da alma não vive no escuro, Planta paz no peito e constrói seu futuro. [REFRÃO FINAL — CORO E PERCUSSÃO PESADA] Sentimentos, venham cá, Façam tremer o terreiro! Cada lágrima é semente, Cada abraço é candeeiro! Sentimentos, podem vir, Deixem o peito respirar; Quem encara a própria história Aprende a se transformar! [ENCERRAMENTO — VOZ GRAVE E BATIDA DIMINUINDO] Sol Flamejante do Sertão, Rima pesada, verdade na mão. Que a tristeza vire aprendizado, E a esperança seja o rumo traçado. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/10/2026
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