

O PREÇO DO AZEITE Cordel em sextilhas — inspirado na reflexão do Pastor Juliano Fraga Chorando, um pastor alerta, Com tristeza no olhar: “Tem coisa acontecendo Que precisamos encarar; Quando a fé vira comércio, É preciso questionar.” Juliano faz seu alerta, Mas não aponta ninguém; Não citou nome de pastor, Nem acusou este ou aquele alguém; Ele fala de um problema Que merece atenção também. O tema é muito delicado, Não convém generalizar; Há pastores responsáveis Que trabalham sem cobrar; E há quem viva do ministério, Com direito a se sustentar. A Bíblia fala ao trabalhador Que seu salário é devido; Também não diz que o pregador Deva ser desprovido; Mas transformar dom em comércio Pode mudar seu sentido. O pastor Oziêl Gomes Fez também sua reflexão: Uma oferta generosa Pode ser demonstração De carinho pela obra E respeito pela missão. Mas cobrar preço fechado Para pregar em um altar, Segundo o que foi denunciado, É questão pra se pensar; Onde termina o ministério E começa o negociar? Se um irmão vem de longe, Há despesa e condição; Viagem, casa e família Também têm manutenção; Oferta justa é uma coisa, Preço imposto é outra questão. E surge uma pergunta Que atravessa o coração: Pode alguém pôr uma etiqueta No próprio dom da vocação? Se o azeite veio de Deus, Quem lhe dá precificação? Jonathan também questiona, Com palavras de emoção: “Como vendo aquilo Que não é propriedade minha? Se o azeite não é meu, Como faço negociação?” Ele lembra das dez virgens, Da parábola ensinada; Cinco tinham sua reserva, Cinco estavam despreparadas; Quando chegou o momento, Cada qual tinha sua jornada. E no meio dessa história Surge uma grande questão: Há quem queira vender azeite Na hora da aflição; Mas aquilo que é sagrado Não se compra com cifrão. Não é dizer que o ministro Não merece receber; Quem trabalha pela obra Também precisa sobreviver; Mas dinheiro como centro Pode a missão enfraquecer. A igreja sustenta o pastor, Isso pode acontecer; Quem dedica a própria vida Também precisa viver; O debate é sobre limites, Sobre como proceder. Não condenemos pessoas Sem prova ou confirmação; Denúncia sem nome próprio Não permite acusação; A verdade pede cuidado, E a justiça, precisão. O altar não é uma bolsa, Nem o culto é leilão; O chamado não é produto Exposto numa vitrine à mão; E a fé, quando é verdadeira, Não se mede pela quantia em cifrão. Se há cachê, que haja clareza, Se há oferta, transparência; Que a igreja saiba dos custos E preserve a consciência; Porque administrar dinheiro Também exige prudência. Que o cantor tenha sustento, Que o pregador tenha pão; Mas que nunca seja esquecido O sentido da missão; Dom recebido gratuitamente Pede também gratidão. No final dessa reflexão, Fica a pergunta no ar: Quando o homem põe seu preço Naquilo que Deus quis dar, Será que ainda é ministério Ou começou a negociar? Eu não julgo pessoa alguma, Nem aponto quem quer que for; Este cordel é reflexão, É pergunta, não é rancor; Quem conhece a própria consciência Sabe diante de quem está: o Senhor. E termino com respeito, Sem condenação ou temor: Que ninguém venda o seu azeite, Nem transforme fé em valor; Porque o dom pode sustentar vidas, Mas seu verdadeiro dono Continua sendo o Senhor. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/10/2026
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