Sol Flamejante do Sertão

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O PREÇO DO AZEITE

Cordel em sextilhas — inspirado na reflexão do Pastor Juliano Fraga

Chorando, um pastor alerta,

Com tristeza no olhar:

“Tem coisa acontecendo

Que precisamos encarar;

Quando a fé vira comércio,

É preciso questionar.”

Juliano faz seu alerta,

Mas não aponta ninguém;

Não citou nome de pastor,

Nem acusou este ou aquele alguém;

Ele fala de um problema

Que merece atenção também.

O tema é muito delicado,

Não convém generalizar;

Há pastores responsáveis

Que trabalham sem cobrar;

E há quem viva do ministério,

Com direito a se sustentar.

A Bíblia fala ao trabalhador

Que seu salário é devido;

Também não diz que o pregador

Deva ser desprovido;

Mas transformar dom em comércio

Pode mudar seu sentido.

O pastor Oziêl Gomes

Fez também sua reflexão:

Uma oferta generosa

Pode ser demonstração

De carinho pela obra

E respeito pela missão.

Mas cobrar preço fechado

Para pregar em um altar,

Segundo o que foi denunciado,

É questão pra se pensar;

Onde termina o ministério

E começa o negociar?

Se um irmão vem de longe,

Há despesa e condição;

Viagem, casa e família

Também têm manutenção;

Oferta justa é uma coisa,

Preço imposto é outra questão.

E surge uma pergunta

Que atravessa o coração:

Pode alguém pôr uma etiqueta

No próprio dom da vocação?

Se o azeite veio de Deus,

Quem lhe dá precificação?

Jonathan também questiona,

Com palavras de emoção:

“Como vendo aquilo

Que não é propriedade minha?

Se o azeite não é meu,

Como faço negociação?”

Ele lembra das dez virgens,

Da parábola ensinada;

Cinco tinham sua reserva,

Cinco estavam despreparadas;

Quando chegou o momento,

Cada qual tinha sua jornada.

E no meio dessa história

Surge uma grande questão:

Há quem queira vender azeite

Na hora da aflição;

Mas aquilo que é sagrado

Não se compra com cifrão.

Não é dizer que o ministro

Não merece receber;

Quem trabalha pela obra

Também precisa sobreviver;

Mas dinheiro como centro

Pode a missão enfraquecer.

A igreja sustenta o pastor,

Isso pode acontecer;

Quem dedica a própria vida

Também precisa viver;

O debate é sobre limites,

Sobre como proceder.

Não condenemos pessoas

Sem prova ou confirmação;

Denúncia sem nome próprio

Não permite acusação;

A verdade pede cuidado,

E a justiça, precisão.

O altar não é uma bolsa,

Nem o culto é leilão;

O chamado não é produto

Exposto numa vitrine à mão;

E a fé, quando é verdadeira,

Não se mede pela quantia em cifrão.

Se há cachê, que haja clareza,

Se há oferta, transparência;

Que a igreja saiba dos custos

E preserve a consciência;

Porque administrar dinheiro

Também exige prudência.

Que o cantor tenha sustento,

Que o pregador tenha pão;

Mas que nunca seja esquecido

O sentido da missão;

Dom recebido gratuitamente

Pede também gratidão.

No final dessa reflexão,

Fica a pergunta no ar:

Quando o homem põe seu preço

Naquilo que Deus quis dar,

Será que ainda é ministério

Ou começou a negociar?

Eu não julgo pessoa alguma,

Nem aponto quem quer que for;

Este cordel é reflexão,

É pergunta, não é rancor;

Quem conhece a própria consciência

Sabe diante de quem está: o Senhor.

E termino com respeito,

Sem condenação ou temor:

Que ninguém venda o seu azeite,

Nem transforme fé em valor;

Porque o dom pode sustentar vidas,

Mas seu verdadeiro dono

Continua sendo o Senhor.

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/10/2026
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