Sol Flamejante do Sertão

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O MONSTRO DA LAGOA ENCANTADA DA CHAPADA DO ARARIPE

ABRAM ALAS!
Que a mata vai contar
Um mistério encantado
Que ninguém pode explicar!
Na Chapada do Araripe
Entre a serra e o sertão
Nasce uma lenda tão forte
Que ficou no coração!

No chão vermelho da terra
A água vira esmeralda
E a fauna segue seus passos
Pela floresta encantada
Caititu banhado em lama
Intrigava o caçador
De onde vinha aquela água?
Quem escondia esse mistério e essa dor?

ÔÔÔ, ARARIPE!
Terra de lenda e magia!
Entre o medo e a esperança
Nasce a força da poesia!

Vem, vem desvendar!
A lagoa encantada chamou!
No reino da mata fechada
Um monstro surgiu, assombrou!
Mas quando o perigo chegou
A fé foi quem me salvou!
Valei-me, meu Padim Ciço!
Meu padrinho, meu santo, meu guia e amor!

Era Antônio, destemido,
Caçador de coração,
Carregando em seu embornal
Rapadura e carne-seca,
Farinha, água e facão.

Sete dias mata adentro,
Na copa do pau de óleo,
Procurava lá do alto
O segredo daquele solo.

Eis que o sol rasga o céu,
Azul celeste a brilhar...
Lá distante, majestosa,
Uma lagoa a cintilar!

Ô LAGOA!
VERDE-AZUL, ENCANTADA!
VERMELHA É A TUA MARGEM,
MISTERIOSA E SAGRADA!

Pegadas cheias de água,
Onça, veado e caititu...
Será miragem ou segredo
Escondido naquele azul?

E quando Antônio mergulha
Nas águas daquele lugar,
Um monstro salta das sombras
Para o seu corpo arrastar!

Desce ao reino das trevas,
Onde o medo é soberano,
Uma caverna de ossadas
Guardava o segredo humano.

É CAVEIRA! É ASSOMBRAÇÃO!
É O PAPA-MIOLOS NO FUNDO DO CHÃO!
Onça que olha, silêncio no ar,
E o pobre caçador sem ter como escapar!

“Teus amigos estão aqui,
E teu destino será igual!”
Riu o monstro tenebroso
Num cenário infernal!

Mas quando a morte se aproxima
E o medo aperta o coração,
Antônio fecha os olhos
E clama pela proteção:

“VALEI-ME, MEU PADIM CIÇO!
POR CARIDADE, VEM ME SALVAR!
SE A FÉ MOVE MONTANHAS,
MEU PADRINHO, FAZ-ME VOLTAR!”

E o milagre aconteceu!
Acordou diante do altar...
Entre velas e esperança,
Padre Cícero a lhe guardar!

VIVA PADRE CÍCERO!
VIVA O POVO DO SERTÃO!
QUEM TEM FÉ NÃO TEME A NOITE,
CARREGA DEUS NO CORAÇÃO!

Mas será que foi verdade?
Foi um sonho? Um pesadelo?
Ou a mata, em sua magia,
Guardou o segredo inteiro?

Ah, Araripe!
Terra de encantamento,
De ciência e de mistério,
De memória e sentimento!

Dinossauros no teu chão,
Pterossauros a voar,
Peixes, plantas e fósseis
Que o tempo fez guardar.

Hoje o mundo vem conhecer
Tua riqueza sem igual,
Parque geológico da vida,
Patrimônio natural!

Mas antes dos cientistas,
Antes do livro e da escrita,
Já vivia na memória
A sabedoria bendita!

Era Titia Santinha,
Contadora de histórias,
Que reunia os seus sobrinhos
Para abrir portas da memória!

No terreiro da infância,
Depois da lida e do labor,
Tinha pipoca feita na areia,
Milho torrado, rapadura e amor!

Sem saber ler nem escrever,
Sabia histórias inventar...
Do Papa-Miolos ao Furungé,
Fazia o sertão inteiro sonhar!

SALVE, SALVE, TITIA SANTINHA!
GUARDIÃ DA IMAGINAÇÃO!
TUA VOZ VIROU LENDA,
TUA HISTÓRIA VIROU CANÇÃO!

E VEM!
VEM CANTAR, ARARIPE!
QUE A CHAPADA VAI BRILHAR!
ENTRE O MONSTRO E O PADIM CIÇO,
NOSSA HISTÓRIA VAI ECOAR!

É MISTÉRIO!
É FÉ!
É CULTURA POPULAR!
É O SERTÃO QUE CONTA AO MUNDO
O SEU JEITO DE SONHAR!

ÔÔÔ, ARARIPE!
CHAPADA ENCANTADA!
DE LENDAS, FÓSSEIS E VIDA,
DE MEMÓRIA ABENÇOADA!

ÔÔÔ, MEU PADIM CIÇO!
PROTEGE O MEU SERTÃO!
E SALVE A TITIA SANTINHA,
RAINHA DA IMAGINAÇÃO!

ARARIPE! ARARIPE!
TUA LENDA NÃO TEM FIM!
SE O MONSTRO MORA NA LAGOA,
A HISTÓRIA MORA EM MIM!

É CARNAVAL!
É CHAPADA!
É ARARIPE A DESFILAR!
E A LENDA DA LAGOA ENCANTADA
NUNCA MAIS VAI SE CALAR!

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 08/10/2026


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