

CANÇÃO DA NOITE FRIA
Balada romântica — chuva, saudade e solidão
[INTRO – piano suave + chuva fina] A noite desceu devagar... Fria como pedra de rio, quieta como casa vazia, traz no ar cheiro de saudade. A chuva risca a janela... E, no quarto escuro, seu nome acende o único lugar que ainda vive em mim. [VERSO 1] A garoa borda o telhado, o céu apagou seu lampião, e as estrelas, atrás das nuvens, guardam segredos na escuridão. O vento atravessa a mata, traz folhas contra o portão, e espalha pela cama vazia o perfume da solidão. Meus pés procuram o cobertor, minhas mãos procuram você; o frio se instala nos ossos, mas é a falta que me faz tremer. [PRÉ-REFRÃO] A saudade senta ao meu lado, molhada de chuva e silêncio. Pergunta por que ainda espero; respondo só com o pensamento. [REFRÃO – EMOCIONADO] Noite fria, telhas cantando, seu lugar permanece aqui. Se você cruzasse esta porta, talvez eu voltasse a sorrir. Noite fria, vidro embaçado, cada gota desenha seu rosto. O inverno fecha as janelas, mas não fecha o meu desgosto. Eu queria sua voz no quarto, seu calor vencendo o chão. Há geada sobre o meu corpo, mas há brasa no coração. [VERSO 2] Deito, e o colchão se transforma num barco perdido no mar. O relógio mastiga as horas, sem me deixar sequer sonhar. Fecho os olhos: sua risada passa leve pelo corredor. Quanto mais cubro a lembrança, mais ela respira calor. Recordo o toque dos seus dedos, a curva calma do seu olhar; uma lágrima toca o rosto e aprende sozinha a descer. [PRÉ-REFRÃO – VOZ BAIXA] Talvez você durma distante, sem ouvir esta casa ranger. Mas quando a madrugada fecha, meu pensamento vai a você. Se a chuva insistir no telhado, não vou pedir para parar. Cada pingo traz uma pergunta que ninguém consegue calar. [REFRÃO – MAIS FORTE] Noite fria, telhas cantando, seu lugar permanece aqui. Se você cruzasse esta porta, talvez eu voltasse a sorrir. Noite fria, vidro embaçado, cada gota desenha seu rosto. O inverno fecha as janelas, mas não fecha o meu desgosto. Eu queria sua voz no quarto, seu calor vencendo o chão. Há geada sobre o meu corpo, mas há brasa no coração. [PONTE – SOMENTE PIANO] Chorei sem fazer barulho, como chuva dentro do chão. A ausência pesa nos ombros e afunda no colchão. Há nomes que o tempo não leva, mesmo jurando levar. Ficam presos nas paredes, no café, no jeito de respirar. E naquela hora sem estrelas, entendi, sem me defender: a distância pode calar seus passos, mas não me ensina a esquecer. [REFRÃO FINAL – LENTO, COM CHORO NA VOZ] Noite fria, telhas cantando, meu Deus, queria você aqui. Que sua presença abrisse um caminho para eu sorrir. Noite fria, vidro embaçado, seu rosto se forma no vapor. A chuva apaga as ruas, mas não dissolve este amor. Se a saudade ficar comigo, vou deixá-la repousar. Ela dói, mas guarda acesa a luz que você deixou no olhar. [FINAL – chuva diminuindo] A madrugada clareou... A chuva virou sussurro... O vento soltou as folhas... E eu continuo aqui... Com o peito cheio de silêncio, as pálpebras pesadas de água, chamando você sem voz. Porque há noites que esfriam a pele, e outras congelam o tempo. Esta foi minha noite comprida, costurada ao seu nome por dentro. 🌧️🌙 Esta foi a minha noite... a noite em que a chuva caiu e eu não consegui deixar você partir.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 06/10/2026
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