

QUANDO A SAUDADE CHAMA
[Introdução — falada, voz masculina, bem suave]
Esta seresta é para você que já viveu muitos amores... que guardou fotografias dentro de uma gaveta... e que, de vez em quando, abre o coração só para conversar com a saudade. [Verso 1] Quando a saudade chama Eu não consigo esconder, Fecho os olhos por um instante E volto no meu viver. Vejo a praça iluminada, Vejo alguém me esperar, E aquele primeiro beijo Que eu nunca pude esquecer. [Verso 2] Era tão simples a vida, Mas tinha tanto valor, Uma carta perfumada, Uma flor para o amor. Serenata na janela, Violão no luar, E dois corações jovens Aprendendo a se amar. [Refrão] Ah, que saudade daquele tempo, Da juventude que o tempo levou... Dos nossos sonhos tão inocentes, Dos nossos bailes, do nosso amor. Ah, que saudade de tanta coisa, Que hoje só vive na lembrança... Mas quando toca uma velha seresta, Meu coração ainda dança. [Verso 3] Vieram filhos, vieram netos, Vieram lutas para vencer, Vieram dias de alegria, Vieram noites sem saber. Alguns amigos foram embora, Outros ficaram pelo caminho, Mas quem passou pela nossa vida Nunca parte sozinho. [Verso 4] Fica um retrato na memória, Fica uma voz no coração, Fica um perfume numa noite, Fica uma antiga canção. E quando a lua aparece Por detrás do meu quintal, Parece que a juventude Volta para o meu portal. [Refrão] Ah, que saudade daquele tempo, Da juventude que o tempo levou... Dos nossos sonhos tão inocentes, Dos nossos bailes, do nosso amor. Ah, que saudade de tanta coisa, Que hoje só vive na lembrança... Mas quando toca uma velha seresta, Meu coração ainda dança. [Ponte — voz mais emocionada] Hoje meus cabelos são brancos, Mas meu coração não envelheceu. Ainda guarda alguns sonhos Dos tempos que o mundo me deu. E se eu pudesse voltar Só por uma noite, talvez... Eu abraçaria aquela pessoa Que amei pela primeira vez. [Último refrão — crescendo suavemente] Ah, que saudade daquele tempo, Das serenatas de antigamente... Dos namorados trocando juras, Sob a luz da lua crescente. Ah, que saudade da mocidade, Que foi embora sem avisar... Mas quem conserva amor no peito Nunca deixa de sonhar. [Final — bem lento, quase sussurrado] Se você também tem saudade... não tenha vergonha de lembrar. Abra aquela velha fotografia. Escute aquela antiga canção. Talvez você descubra que o tempo levou os anos... Mas não levou o amor que você viveu. E se uma lágrima cair... deixe cair. É apenas a saudade dizendo baixinho: “Eu ainda estou aqui.”
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 01/10/2026
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