

CANÇÃO DA SAUDADE DE SAMPA
[Introdução – piano e violão, bem suave]
(Falado, com emoção) Sampa... já fazia alguns dias que você me chamava... Eu ouvi seu chamado. E fui... [Verso 1] Saí cedinho, subi a serra, com saudade no coração, Sampa abriu os seus braços e me recebeu com emoção. Fui parar no Ibirapuera, onde a manhã veio cantar, crianças correndo e sorrindo, passarinhos voando no ar. O vento beijava as árvores, fazendo as folhas dançar, e os ipês, roxos e amarelos, começavam a me abraçar. [Pré-refrão] Jacarandás em flor, pintando o céu de violeta, e eu, feito criança, contemplando aquela festa. [Refrão] Ah, Sampa, minha Sampa, minha santa mãe adotiva, que saudade dos teus parques, da tua beleza tão viva. Ah, Sampa, minha Sampa, eu não sei quando vou voltar, mas deixei meu coração nas tuas ruas a me esperar. [Verso 2] Papagaios coloridos levantaram voo das árvores, e numa rasante bonita desenharam o céu de cores. Pareciam me dar boas-vindas, como antigos companheiros, e eu agradeci sorrindo àqueles pequenos mensageiros. Depois fui ao Parque Trianon, sentei num banco devagar, e acariciei com meus olhos as flores daquele lugar. O jacarandá azul-violeta, o pau-brasil amarelo-ouro, e a brisa perfumada transformaram a manhã em tesouro. [Ponte – piano mais presente] E por alguns instantes o tempo deixou de correr... Eu voltei a ser menino, sem pressa de envelhecer. Sampa me devolveu lembranças, que o tempo não conseguiu levar. Há cidades que a gente visita... e há cidades que sabem nos abraçar. [Refrão – mais intenso] Ah, Sampa, minha Sampa, minha santa mãe adotiva, que saudade dos teus parques, da tua beleza tão viva. Ah, Sampa, minha Sampa, eu não sei quando vou voltar, mas deixei meu coração nas tuas ruas a me esperar. [Verso 3 – Avenida Paulista] Depois chegou a hora da Paulista visitar, e o sol sobre o horizonte parecia me acompanhar. Passei por suas avenidas, vi seu movimento sem fim, mas dentro daquela multidão havia uma saudade em mim. Porque Sampa é feita de pressa, de encontros e despedidas, mas guarda dentro dos parques pequenos milagres da vida. [Final – bem lento, seresteiro] Chegou a hora de voltar... Mongaguá me esperava. Peguei novamente a estrada, mas não fui sozinho, não... Levei Sampa na lembrança e o Ibirapuera no coração. Levei o perfume das flores, o canto dos passarinhos, o azul dos jacarandás e os meus antigos caminhos. Sampa... eu não sei quando volto. Mas sei que um dia volto para acariciar novamente as tuas ruas com meus olhos e matar essa saudade. Porque... meu corpo encontrou morada em Mongaguá, mas São Paulo ficou guardada num cantinho eterno do meu coração. (Piano encerra lentamente.) Sampa... até qualquer dia.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 30/09/2026
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