Sol Flamejante do Sertão

Aprecie sem moderação

Textos

O NORDESTE FALA — E O BRASIL ESCUTA
Cordel de um nordestino de coração

No mapa desta nação
Tem um povo destemido,
Que conhece a seca e a chuva,
O chão duro e ressequido,
Mas jamais perdeu a fé
Nem deixou de ter sentido
A esperança de um futuro
Mais justo e mais merecido.

É o povo do Nordeste,
Terra quente e abençoada,
Onde a seca vira luta,
Onde a fé não é quebrada,
Onde o filho vai embora,
Mas conserva na lembrança
O sertão de sua infância
E a saudade da morada.

Saiu nova pesquisa,
E os números vêm mostrar
Que o cenário brasileiro
Ainda pode variar.
Pesquisa não é sentença,
Nem consegue decretar
Aquilo que só nas urnas
O povo pode afirmar.

Em São Paulo aparece
Uma disputa apertada:
Trinta contra vinte e nove,
Diferença bem pequena na estrada.
Minas segue quase igual,
E no Rio a caminhada
Também mostra proximidade
Na fotografia registrada.

Mas descendo para o Nordeste,
Olha a coisa diferente:
Maranhão mostra cinquenta e oito,
Vinte para o outro concorrente.
No Rio Grande do Norte,
A diferença está presente;
Pernambuco também mostra
Um cenário contundente.

Na Paraíba, os números
Também chamam atenção:
Cinquenta para Lula,
Vinte e um na comparação.
Alagoas traz quarenta e quatro,
Vinte e nove na medição.
Mas pesquisa é só pesquisa,
Não é voto na eleição.

E aqui entra este poeta,
Com orgulho e emoção:
“Será que alguém me concede
Um título, por gratidão?”
Se existir algum diploma
De cidadão do sertão,
Pode mandar que eu recebo
Com respeito e coração!

Porque eu sou filho do Ceará,
Da poeira e do rojão,
Do mandacaru valente,
Da seca do meu sertão,
De uma gente que transforma
Dificuldade em lição
E carrega no peito
A força de uma nação.

Meu Nordeste tem Gonzaga,
Tem Patativa e repente,
Tem cordel, tem vaquejada,
Tem sanfona e tem repente,
Tem mulher de fibra forte,
Tem trabalhador valente,
Tem menino que sonha alto
Mesmo quando falta o pão.

Não existe um nordestino
Que não carregue memória:
Uma mãe, uma estrada,
Uma derrota, uma vitória,
Uma cidade distante,
Um pedaço da sua história,
E a certeza de que a luta
Também escreve nossa glória.

Não estou dizendo aqui
Que pesquisa ganha eleição.
O voto pertence ao povo,
E merece consideração.
Cada brasileiro escolhe
Conforme sua convicção.
A democracia começa
Respeitando a decisão.

Mas se o Nordeste aparece
Com tamanho protagonismo,
Eu levanto minha voz
Sem vergonha do regionalismo:

Sou nordestino, sim senhor!
E disso tenho orgulho!
Tenho sertão dentro da alma,
Tenho coragem no meu rumo!
Se quiserem me dar o título,
Eu recebo sem barulho:
Cidadão do Nordeste,
Com honra e sem nenhum luxo!

Porque o Nordeste não é apenas
Uma parte do território.
É cultura, é resistência,
É memória, é repertório.
É um povo que ajudou
A construir nosso histórico,
E que segue escrevendo
Seu capítulo na história.

Então viva o meu Nordeste,
Viva o povo brasileiro!
Viva quem trabalha honesto,
Viva o homem brasileiro,
Viva a mulher nordestina,
Viva o sonho verdadeiro!

E que vença nas urnas
A vontade do eleitor,
Com respeito e liberdade,
Sem mentira e sem rancor.
Porque acima da disputa
Existe algo bem maior:

O Brasil é nossa casa,
E o povo é seu senhor!

E se perguntarem um dia
De onde vem minha raiz,
Eu respondo sem demora,
Com orgulho e cicatriz:

“Sou cearense de nascimento,
Nordestino até o fim.
O Nordeste mora em mim —
E eu carrego o Nordeste
Por onde a vida me levar!”
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 26/09/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras