

CANÇÃO DO PESCADOR DE MONGAGUÁIracema, a estrela do rio Hoje eu saí pra pescar corvina Nas águas do rio Mongaguá Joguei minha rede, esperei pela sina Mas nenhum peixe quis me visitar O sol já baixava lá no horizonte E eu já pensava em voltar pra casa Quando uma visão surgiu lá na ponte E o meu coração bateu feito asa Refrão Oh, Iracema, sereia do rio Índia Guarani, flor do meu olhar Teus olhos negros, teu sorriso bonito Fizeram meu coração navegar Oh, Iracema, princesa das águas Estrela radiante do Mongaguá Se o rio me trouxe você nesta tarde Eu nunca mais quero te deixar As águas claras começaram a brilhar Sobre as areias do velho Mongaguá E uma mulher começou a flutuar Como uma sereia que vinha do mar Era uma índia de cabelos pretos Negros e brilhantes como a noite sem fim Seus olhos tinham um brilho secreto E aquele olhar veio direto pra mim Minhas pernas tremeram, não queriam andar Meu corpo parou, eu perdi a razão Meu peito apertou, faltou respirar Parecia que ia parar meu coração Ela vinha ornada de flores da mata Com vestes sagradas de seu ritual E um perfume suave de quaresmeira Desceu pelo rio num sopro floral Tirou dos cabelos um ramo de flores E veio sorrindo me oferecer Naquele instante eu esqueci minhas dores E só conseguia olhar pra você Refrão Oh, Iracema, sereia do rio Índia Guarani, flor do meu olhar Teus olhos negros, teu sorriso bonito Fizeram meu coração navegar Oh, Iracema, princesa das águas Estrela radiante do Mongaguá Se o rio me trouxe você nesta tarde Eu nunca mais quero te deixar Ela me abraçou com a pureza de uma flor E perguntou baixinho: “Qual é o seu nome, meu pescador?” Eu respondi, com o peito apaixonado: “Meu nome é Arquiteto do Amor.” Perguntei seu nome, quase sem voz Ela sorriu e respondeu pra mim: “Meu nome é Iracema.” Meu coração bateu ainda mais forte E eu falei sem conseguir disfarçar: “Você é a Iracema dos lábios de mel Que veio das lendas pra me encontrar?” Ela sorriu e disse simplesmente: “Sim... sou eu.” “Se você me quiser, pescador sonhador, Posso ser sua princesa, seu amor, Sua estrela radiante Nas águas do Rio Mongaguá.” E novamente ela me abraçou Com suas mãos delicadas de flor Um cacho de quaresmeira em seus cabelos E nos olhos, a promessa do amor. Entre o rio e a Mata Atlântica Onde a Serra do Mar beija o céu Iracema ficou na minha memória Como uma estrela coberta de véu. E desde aquele dia, quando vou pescar Já não procuro somente a corvina no mar Jogo minha linha nas águas do rio Na esperança de Iracema voltar. Refrão final Oh, Iracema, sereia do rio Índia Guarani, flor do meu olhar Teus olhos negros, teu sorriso bonito Fizeram meu coração navegar Oh, Iracema, princesa das águas Estrela radiante do Mongaguá Meu peixe pode até não aparecer... Mas se você voltar, Eu já tenho o que jantar: o amor que encontrei nas águas do Mongaguá. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 25/09/2026
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