

A TOGA, O PODER E O POVO
Vou contar em meu cordel
Uma história pra pensar, Não pretendo dar sentença, Nem tampouco acusar. Quero apenas uma pergunta Para o povo meditar. O Supremo é importante, Isso ninguém pode negar, Guarda a Constituição E ajuda a democracia a funcionar. Mas poder muito concentrado Também precisa se explicar. Se ministros divergem, Isso é parte da função; O problema é quando a disputa Vira pública discussão, E o cidadão fica olhando Sem entender a situação. Eu aprendi desde menino Uma coisa essencial: Ninguém está acima da lei, Nem o rico nem o mortal. A Justiça deve ser justa, Transparente e imparcial. Se aparece uma denúncia, Não se deve condenar. Denúncia pede apuração, Prova precisa confirmar. Quem acusa deve provar, Quem é acusado pode explicar. Se a prova mostrar delito, Que responda quem errou. Se a prova mostrar o contrário, Que também se diga: "acabou". Justiça não pode ser palco Para aquilo que não se provou. E se existem festas e viagens, Encontros ou relações, O cidadão quer respostas, Quer claras explicações. Transparência é alimento Das democráticas nações. Não importa se é ministro, Empresário ou senador, Presidente ou deputado, Governante ou julgador. Quanto maior for o poder, Maior deve ser o rigor. E existe uma velha pergunta Que merece discussão: Deve o cargo ser vitalício? Deve haver transformação? Mandato seria possível? Quem decide a alteração? Não digo que tenho a resposta, Nem quero impor opinião. Mas discutir é necessário Numa livre democracia. Quem tem poder sobre o povo Também escuta a população. Uma reforma bem pensada Não precisa destruir. Pode corrigir caminhos, Pode fazer evoluir. Instituição respeitada Também pode se aperfeiçoar. A toga não é uma coroa, O cargo não faz um rei. Quem recebe uma autoridade Também responde pela lei. Pois acima de qualquer nome Está o império da lei. E deixo para você A pergunta derradeira: Quem vigia os guardiões Da Justiça brasileira? Não responda de cabeça, Pense antes de responder. Pois quem aprende a questionar Também aprende a compreender. Democracia não é silêncio, Nem torcida organizada. É poder falar e ouvir, É opinião respeitada. E quando o povo pergunta, Não é falta de respeito: É cidadania acordada!
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 25/09/2026
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