

LULA NA ONU: ENTRE A GUERRA E A PAZ, O MUNDO PRECISA ESCOLHERO sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis — os que não têm exército, nem arsenais — nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel. Ao longo de seus dois mandatos, António Guterres foi testemunha direta dos crescentes desmandos das superpotências. Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez. A esse pecado original soma-se agora uma profunda crise de liderança. O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir. Não desconheço a realidade do poder. Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política. No mundo inteiro, será preciso conciliar o interesse da pátria com o interesse da humanidade. Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade. Alguém que lutou contra uma ditadura militar e defendeu seu país contra um golpe de Estado. É a convicção de um operário eleito três vezes presidente e que retirou o Brasil do Mapa da Fome. Multilateralismo ou unilateralismo Esta Assembleia corrigiu recentemente distorções históricas. Reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade. Aprovou também uma representação mais precisa do mapa-múndi. Agora deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre: multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. É isso que se espera de um estadista. Yasser Arafat e Yitzhak Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz. Foram derrotados pelo ódio. Oriente Médio Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas. Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que esses crimes fiquem impunes. A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade. Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que israelenses e palestinos possam viver em paz. A ameaça à civilização em extinção não trará estabilidade para o Oriente Médio. O Estreito de Ormuz transformou-se em trincheira da guerra, quando deveria permanecer uma passagem vital para o comércio internacional. Famílias em todo o mundo pagam pelo aumento dos preços dos combustíveis, fertilizantes e alimentos. Entre Rússia e Ucrânia, arrasta-se uma crise humanitária que continua a ceifar vidas. Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção. Iniciativas como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China, revelam que existe, na comunidade internacional, uma força disposta a trabalhar pelo diálogo. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” Na América Latina e no Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo se dá em um contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Devemos ser parceiros, com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos. O povo venezuelano merece definir o próprio destino. A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional. Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais. Crime organizado O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados. Mães perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas. As pessoas estão cansadas da violência. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. Por muito tempo, os estados brasileiros atuaram cada um à sua maneira. O crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando. Criamos, em Manaus, na Amazônia, o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, reunindo autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos. Ciência, saúde e clima Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam as evidências da ciência. Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento da Covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde torna todos mais vulneráveis. Até pouco tempo, a resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, fóruns que reúnem alguns dos maiores emissores de carbono do mundo. É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo. A natureza nos recorda a cada dia que o planeta é um só. As geleiras do Himalaia estão derretendo. Um super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais devastadores. Meu nobre amigo, aqui está o ponto que eu acho mais bonito para o seu trabalho: em vez de simplesmente publicar uma transcrição enorme, podemos transformar esse material em uma crônica sua sobre o discurso, com o título: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém” E aí você pode entrar como Antônio — o Arquiteto das Canções, comentando aquilo que ouviu, o que sentiu e quais frases considera mais importantes. Isso deixaria de ser apenas uma reprodução de um discurso político e passaria a ser um registro seu sobre um acontecimento histórico que você testemunhou. A própria ONU confirma que o Debate Geral da 81ª Assembleia começou em 22 de setembro de 2026 e reúne os líderes dos 193 Estados-membros. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 22/09/2026
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