Sol Flamejante do Sertão

Aprecie sem moderação

Textos


CANÇÃO DAS MULHERES ABOLICIONISTAS BRASILEIRAS - Em memória de Beatriz

INTRODUÇÃO — piano e violão]

Hoje a arte abre as portas,

para a memória despertar,

e as mulheres abolicionistas

voltam juntas para cantar.

Nas telas vivem guerreiras,

mulheres de luta e coragem,

que enfrentaram a escravidão

e deixaram na nossa história

a força da sua passagem.

Mas entre tantas guerreiras,

uma estrela vamos lembrar:

Beatriz, tão jovem e cheia de sonhos,

que não pôde sua caminhada continuar.

[VERSO 1]

Beatriz trazia no ventre

uma menina de seis meses,

um pequeno coração de esperança,

um sonho crescendo depressa.

Era uma filha esperando o mundo,

esperando o primeiro amanhecer,

esperando o colo da mãe,

esperando simplesmente

o direito de nascer.

Duas vidas interrompidas,

dois sonhos pelo caminho;

uma mãe perdeu sua filha,

e uma criança perdeu

o primeiro abraço e o carinho.

[REFRÃO]

Mulheres guerreiras,

mulheres de luz,

a memória de vocês

ninguém apaga ou reduz.

Luiza Mahin, Dandara,

Tereza de Benguela também,

Maria Firmina, Maria Felipa,

mulheres que enfrentaram

a escravidão e disseram:

liberdade é direito de alguém!

[VERSO 2]

E hoje Nazaré transforma

a saudade em criação,

faz da arte uma homenagem,

faz da memória uma oração.

Bárbara guarda a irmã

bem dentro do coração;

e cada tela dessa exposição

se transforma numa flor

em memória de Beatriz.

[PONTE — voz emocionada]

Havia um juramento à vida,

um compromisso de salvar;

mas Beatriz teve sua vida tirada

e sua menina não chegou

sequer a respirar.

Não cabe à arte fazer justiça,

nem substituir a lei ou o juiz;

mas cabe à arte guardar a memória

e dizer ao mundo:

Beatriz existiu.

Beatriz foi amada.

Beatriz tinha sonhos.

Beatriz era mãe.

E sua filha tinha

o direito de nascer.

[REFRÃO — crescendo]

Mulheres guerreiras,

mulheres de luz,

que nenhuma mulher seja vítima

da violência que a reduz.

Das lutas pela liberdade

às lutas de cada mulher,

que toda vida seja respeitada,

que toda mulher tenha

o direito de viver.

[FINAL — piano e coro feminino]

Duas estrelas no céu

ninguém poderá apagar:

Beatriz, mulher e mãe,

e sua pequena filha

que não chegou a respirar.

Nazaré, mãe que chora,

Bárbara, irmã que sente,

que a memória de Beatriz

permaneça viva

para sempre.

Beatriz… presente!

Sua menina… presente!

E enquanto houver arte,

memória, amor e esperança,

a história dessas mulheres

continuará viva

dentro de nós.

Para Beatriz.

Para sua filha.

Para Nazaré.

Para Bárbara.

Para todas as mulheres

que lutam simplesmente

pelo direito de viver.

Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 18/09/2026
Alterado em 18/09/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras