

OS SETE ANJOS DA QUADRA
Lá no sertão do Ceará,
A notícia fez doer, Sete jovens partiram cedo, Sem tempo de envelhecer; E deixou muita saudade Que ninguém sabe esconder. Vinham de uma competição, Voltando para o seu lar, Levando sonhos e troféus, Com vontade de chegar; Mas o destino, de repente, Fez a estrada se calar. Era noite, madrugada, Quando a dor aconteceu, Na estrada de Tauá, Um ônibus tombou e, então, Sete vidas tão jovens Deste mundo se perdeu. Seis eram jovens atletas, Cheios de força e esperança, E um deles, da comissão, Também carregava a confiança De quem ajuda a construir O futuro de uma criança. Henrique, João e Luiz, Cauã também se foi; Jonatas e Matheus, tão jovens, A vida ainda vinha depois; Marcus Miguel completava Os sete nomes que a dor guardou. Quinze anos tinha Jonatas, Quinze também Matheus tinha; Cauã tinha dezesseis, E a juventude ainda vinha; Dezoito tinha João Paulo, E a saudade hoje caminha. Henrique tinha dezessete, Luiz, dezoito também; Marcus, vinte e dois anos, Era jovem como ninguém; Sete sonhos interrompidos, Sete famílias sem seu bem. Juazeiro hoje recorda Seus meninos do basquete, Que partiram tão depressa Sem saber que era a última cesta; Deixaram dentro das quadras Uma saudade que não esquece. Eu que um dia fui jovem E morei naquele lugar, Sei que Juazeiro tem alma Que não aprende a se calar; Quando um filho parte cedo, A cidade inteira sente o pesar. E o velho cordelista, Que transforma dor em oração, Pega a tinta, pega a pena, E escreve com o coração; Porque o verso também serve Para guardar recordação. Não venho aqui apontar dedo, Nem fazer condenação; A Justiça terá seu tempo Para fazer sua apuração; Mas nenhuma sentença devolve Uma vida ao coração. Que Deus conforte as famílias, Dê-lhes força para seguir, E receba esses sete jovens Onde a dor não pode existir; Que a lembrança dos seus sonhos Nunca deixe de florir. E quando a bola quicar No silêncio de algum ginásio, Que alguém lembre desses jovens Com carinho e sem cansaço; Pois quem parte tão cedo Continua vivo no abraço. Sete estrelas no céu do Ceará, Sete nomes para lembrar, Sete sonhos que a vida Não deixou continuar; Mas enquanto houver memória, Eles nunca vão passar. Henrique, João, Luiz e Cauã, Jonatas, Matheus e Marcus também: Que Deus guarde suas almas E console quem ficou sem ninguém. O Ceará chora seus filhos, E o cordel os abraça também.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/09/2026
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