

SAMBA-CANÇÃO — “SAMPA, MINHA SEGUNDA MÃE”
[Verso 1]
Hoje acordei cedinho, E a garoa veio me encontrar, Molhando as folhas do Trianon, Fazendo a cidade sonhar. Lá no alto, o velho MASP Se vestia de prata e emoção, E eu fiquei olhando a Paulista Com Sampa dentro do coração. [Verso 2] Eu vim de longe, do Ceará, Trouxe saudade na bagagem, Um punhado de esperança E coragem pra minha viagem. Não sabia que essa cidade Ia me acolher como ninguém, Eu cheguei procurando caminhos, E encontrei uma mãe também. [Refrão] Sampa, minha Sampa querida, Terra da garoa e do amor, Molhou meus cabelos na chuva, Mas foi meu coração que molhou. Sou cearense de nascimento, Paulistano por adoção, São Paulo entrou na minha vida E fez morada no meu coração. [Verso 3] Por tuas ruas passaram poetas, Pagu, Mário e Oswald de Andrade, Tarsila pintou seus sonhos Com as cores da modernidade. E a voz de Carolina Maria Ainda ecoa pelo Canindé, Contando a vida dos esquecidos E mostrando ao mundo sua fé. [Verso 4] Luiz Gama ergueu sua voz Contra a corrente da escravidão, Tebas deixou sua arte em pedra, Cuti fez da palavra ação. E hoje a poesia continua Pelas quebradas a florescer, Sérgio Vaz leva seus versos Pra quem também quer escrever. [Refrão] Sampa, minha Sampa querida, Terra da garoa e do amor, Molhou meus cabelos na chuva, Mas foi meu coração que molhou. Sou cearense de nascimento, Paulistano por adoção, São Paulo entrou na minha vida E fez morada no meu coração. [Ponte — mais suave] Quando a noite chega mansinha E a garoa beija o chão, Eu ouço a cidade dizendo: “Você também é meu irmão.” E olhando as luzes da Paulista, Eu agradeço em silêncio, então, Pelos sonhos que aqui nasceram, Pela vida, pela emoção. [Último refrão — crescendo] Sampa, minha Sampa querida, Minha velha senhora tão linda, Quatrocentos e setenta e dois anos, E ainda tão jovem, tão viva! Eu não nasci em teus braços, Mas tu me deste teu coração, Sou filho do sertão nordestino, Mas teu filho por adoção. [Final — falado/cantado, bem suave] Existem cidades onde a gente nasce... E existem cidades que nascem dentro da gente. São Paulo nasceu dentro de mim. Sampa... Minha querida Sampa... Minha segunda mãe.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 08/09/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|