

QUANDO O FASCISMO VESTE A PÁTRIAHá palavras bonitas que podem ser usadas para fins muito diferentes: Deus, pátria, família, ordem e liberdade. O problema começa quando alguém transforma essas palavras em instrumento de poder e passa a tratar quem pensa diferente como inimigo. O fascismo italiano surgiu como movimento político organizado em 1919, liderado por Benito Mussolini. Em 1922, chegou ao poder e começou a destruir gradualmente as instituições democráticas, perseguindo adversários e controlando a imprensa. Na Alemanha, Adolf Hitler levou essa experiência a uma dimensão ainda mais brutal. O nazismo, forma radical do fascismo, estabeleceu uma ditadura baseada no racismo, no antissemitismo e na perseguição sistemática de milhões de pessoas. Em Portugal, Salazar implantou o Estado Novo português. Na Espanha, Francisco Franco governou por décadas depois da Guerra Civil. Eram regimes diferentes entre si, mas todos restringiram liberdades e perseguiram opositores. No Brasil, Plínio Salgado fundou, em 1932, a Ação Integralista Brasileira, movimento que incorporou elementos do fascismo europeu. Seu lema ficou famoso: “Deus, Pátria e Família.” Getúlio Vargas também instaurou uma ditadura, o Estado Novo, em 1937. O Congresso foi fechado, eleições foram suspensas e a repressão política aumentou. O DOPS tornou-se um importante instrumento de perseguição política durante diferentes períodos. Nesse contexto, destaca-se Filinto Müller, ligado à repressão do governo Vargas. Um dos episódios mais dolorosos foi a deportação de Olga Benário Prestes, grávida, para a Alemanha nazista. Sua filha, Anita Leocádia, nasceu na prisão e foi posteriormente separada da mãe. Olga morreu assassinada pelos nazistas em 1942. Seu companheiro, Luís Carlos Prestes, também foi perseguido e preso pelo regime Vargas. Décadas depois, o Brasil voltou a ouvir slogans políticos com forte apelo nacionalista e religioso, como: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.” Mas é preciso ter cuidado: nem todo conservador, nacionalista ou religioso é fascista. Fascismo é um fenômeno político específico, marcado pelo autoritarismo, culto ao líder, nacionalismo extremo, perseguição de adversários, violência política e enfraquecimento das instituições democráticas. A história nos deixa um alerta: Quando o adversário político vira inimigo, a democracia começa a adoecer. Quando a imprensa é tratada como inimiga, a verdade fica ameaçada. Quando um líder é colocado acima das instituições, a liberdade começa a desaparecer. E quando alguém diz que apenas um grupo representa a verdadeira pátria, devemos prestar muita atenção. Democracia não significa pensar todos da mesma maneira. Significa poder pensar diferente sem ser perseguido por isso. Porque uma pátria verdadeiramente forte não é aquela onde todos obedecem ao mesmo pensamento. É aquela onde pessoas diferentes conseguem viver juntas em liberdade. Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 08/09/2026
Alterado em 08/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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