

O CORDEL DO SUPREMO - A GUERNICA BRASILEIRA!Eu não sou doutor de toga, Nem conheço jurisprudência, Sou apenas um sertanejo Que aprendeu com a experiência Que quando os homens poderosos Começam grande discussão, Quem termina pagando a conta Quase sempre é o cidadão. Eu ouvi dizer certa vez, Com toda solenidade: “Ordem do Supremo se cumpre!” Era essa a autoridade. Mas hoje eu fico matutando, Coçando o couro da cabeça: Um manda, outro contesta... E eu pergunto: quem começa? André Mendonça fala alto, Moraes responde também, Um rebate o argumento, Outro diz que aquilo não convém. E o povo, lá na arquibancada, Só consegue perguntar: “Será que os homens da toga Resolveram disputar quem sabe gritar?” Não quero fazer fofoca, Nem julgar antecipado, Porque acusação sem prova É caminho atravessado. Mas tem investigação grande Correndo de lado a lado, E o caso Daniel Vorcaro Deixa muito brasileiro preocupado. Tem dinheiro de aposentado No meio dessa discussão, Tem investigação bancária, Tem suspeita e apuração. E se alguém tiver culpa, Que responda à Justiça, então; Mas que ninguém transforme A verdade em brincadeira de salão. Eu fico olhando essa história E pensando cá comigo: O Brasil parece um engenho Com a moenda sem juízo. Um ministro pisa no freio, Outro acelera o motor, E o pobre cidadão pergunta: “Meu Deus, onde isso vai dar, senhor?” Antigamente era o cachorro Que mijava no poste da praça. Hoje a coisa está tão doida Que até o mundo se embaraça: O poste mija no cachorro, O cachorro pede licença, E o dono da calçada Ainda chama isso de sentença! Se todos os ministros Resolverem se estranhar, E cada qual subir o tom Toda vez que for falar, O povo vai precisar De protetor auricular, Porque daqui a pouco o Supremo Vai parecer feira livre de tanto gritar! Os Advogado pergunta estamos no supremo tribunal federal O estamos na feira de caruaru? E eu fico aqui perguntando, Com minha simplicidade: Será que uma Corte Suprema Não precisa de serenidade? Discordar faz parte da vida, Isso eu posso compreender; Mas Justiça sem equilíbrio É difícil de se entender. Foi aí que me lembrei De um pintor extraordinário: Pablo Picasso deixou Um testemunho necessário. Quando pintou Guernica, Não fez simples decoração; Transformou o horror da guerra Num grito contra a destruição. A cidade foi bombardeada, E o mundo ficou marcado. Picasso pegou aquela dor E deixou tudo registrado. Não pintou somente cadáver, Nem avião ou canhão: Pintou o medo do povo, A angústia e a devastação. E se Picasso estivesse vivo E olhasse nossa confusão, Talvez pegasse seus pincéis E dissesse: “Que situação!” Pintaria onze cadeiras, Uma grande mesa no chão, Onze figuras discutindo No meio da escuridão. E no canto da pintura Um povo olhando assustado, Tentando descobrir Quem deixou o juízo de lado. Seria uma nova Guernica, Mas com sotaque brasileiro, Com viola, mandacaru, Cangaço e povo guerreiro. No lugar dos velhos canhões, Colocaria a discussão; E no lugar dos cavalos, Talvez botasse um jumento Com cara de interrogação! E lá no meio da tela, Bem no centro da pintura, Um brasileiro perguntando, Com aquela velha candura: “Se a Justiça é nossa bússola, Quem segura o seu timão? Se os próprios homens da toga Entram em contradição, Como fica o brasileiro Que só quer compreensão?” Tem gente que ainda carrega As feridas da pandemia, Famílias que perderam seus entes No pior momento daqueles dias. São dores que não desaparecem Com discurso ou decisão; Ficam gravadas na alma, Como cicatriz no coração. E o oito de janeiro Também ficou na memória. Atacar a democracia Não pode virar vitória. Quem praticou violência Deve responder pelo ato; E quem for inocente, que tenha Direito ao devido processo e ao fato. Porque democracia não é Cada lado fazer o que quer. Não é mandar pela força, Nem calar quem não tiver poder. Democracia é divergência, É direito, é obrigação: É perder numa eleição E respeitar a decisão. Eu sou apenas cordelista, Não sou juiz nem senador. Não distribuo condenação, Nem me considero doutor, mas tenho olhos e ouvidos, tenho cabeça e coração E quando vejo tanta briga, transforma tudo em opinião. Se perguntarem que escreveu este cordel arretado , Eu respondo sem medo E sem ficar encabulado: ``Não foi ministro nenhum, Nem foi o Supremo, não. Fui eu, cabra nordestino, Com papel e inspiração, Ouvindo o barulho do Brasil E rimando minha indignação!`` E se Picasso estivesse aqui, Talvez dissesse ao companheiro> Meu filho, não mexa nos pincéis. que esse Brasil é muito ligeiro! Eu levei semanas para pintar Guernica , Mas nesse país brasileiro, todo dia tem assunto para pinta um quadro inteiro! Assim termina o cordel, Sem dono e sem partido, com o povo sendo chamado A pesar no acontecido. Porque o Brasil é grande demais para viver de gritaria: Que a justiça tenha equilíbrio, que a democracia tenha luz e se fortaleça, E que o povo tenha voz sem precisar gritar também. E se a política virou um circo, que pelo menos o povo não seja o palhaço do PICADEIRO! COMO DIZIA O SAUDOSO TOM JOBIM DEFINITIVAMENTE O BRASIL NÃO É PAÍS PARA PRINCIPIANTES! Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 04/09/2026
Alterado em 04/09/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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