Sol Flamejante do Sertão

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CORDEL DA FACADA QUE NÃO PRECISOU DE FACA
Eduardo soltou um alerta,
Dizendo estar preocupado,
Que Flávio poderia um dia
Ser também atacado.
Depois da história do pai,
O receio é justificado.

Mas deixemos bem claro
O que a Justiça apurou:
Adélio foi o autor da facada,
E a perícia constatou
Que ele agiu sozinho,
Foi isso que o inquérito apontou.

Não vou inventar mistério
Nem criar conspiração,
Pois cordel também precisa
Respeitar a informação.
Crítica boa não precisa
De mentira ou distorção.

Mas a política brasileira
Dá assunto de montão,
E quando entra uma história
De dinheiro e investigação,
A sátira ganha espaço
Na praça e no coração.

Agora vem outro capítulo,
Que merece atenção:
Daniel Vorcaro aparece
No meio da discussão,
Com contatos, negociações
E cifras de grande dimensão.

Não digo que isso prove
Crime ou conspiração,
Pois somente investigação
Pode dar a conclusão.
Mas politicamente o caso
Virou grande preocupação.

E aqui entra minha faca,
Mas é faca de papel:
Não corta carne de ninguém,
Só rabisca o meu cordel.
Minha arma é a palavra,
Meu projétil é o pincel!

Se a preocupação é facada,
Podem baixar a tensão:
Desta vez a minha lâmina
Não tem cabo nem punção.
É somente uma metáfora
Para a nossa reflexão.

Porque candidatura alguma
Se derrota com punhal;
Quem derruba candidato
É o voto no final.
É o povo que decide
Quem sobe ao Planalto Central.

Se existem telefonemas,
Extratos ou transferência,
Que sejam todos investigados
Com rigor e transparência.
Quem não deve não precisa
Temer a própria consciência.

Então, Flávio, fique tranquilo,
Não desejo violência não.
Minha crítica é somente
No terreno da opinião.
Se houver disputa política,
Que seja feita na eleição.

Porque no Brasil de hoje
Tem assunto todo dia:
Tem pesquisa, tem denúncia,
Tem promessa e correria.
E o eleitor, mais esperto,
Não engole fantasia.

Não precisamos de facada,
Nem de sangue derramado;
Precisamos é de verdade,
De debate bem travado.
E do voto consciente
De um povo bem informado.

Minha faca é de palavras,
Meu punhal é o pensamento;
Não machuca nenhum corpo,
Só provoca questionamento.
Se a política é um teatro,
O cordel faz o comentário!

E deixo aqui meu recado
Sem torcida e sem paixão:
Que ninguém tema atentado,
Que ninguém pregue agressão.
Na democracia brasileira,
A melhor arma é o voto na mão!
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 03/09/2026
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