Sol Flamejante do Sertão

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AS LUZES DA MEMÓRIA
As luzes da minha memória me levaram para passear pela Rua Augusta, em setembro de 1973.

Eu era jovem e caminhava pelas ruas de São Paulo, sem medo de ser feliz. Naquela noite, entrei em uma casa noturna e me encantei com aquele ambiente alegre, cheio de música, luzes e gente vivendo intensamente a madrugada.

Foi ali que ouvi, pela primeira vez, uma música que ficaria para sempre guardada dentro de mim: “Jolene”.

Aquela voz suave preenchia todo o ambiente e, sem que eu soubesse, também começava a preencher meu coração.

Só depois descobri quem era aquela cantora de voz tão marcante: Dolly Parton.

O tempo passou. Vieram muitos anos, muitas histórias, encontros, despedidas e caminhos diferentes. Mas algumas músicas parecem desafiar o tempo. Basta ouvi-las novamente para que as portas da memória se abram.

Às vezes, acordo de madrugada, no silêncio do meu quarto. Fecho os olhos e volto para aquela casa noturna da Rua Augusta. E lá está novamente aquela voz cantando “Jolene”.

De repente, não estou mais no presente.

Estou novamente naquele jovem que caminhava pelas ruas de Santa Cecília, Consolação e Vila Buarque, descobrindo a vida, ouvindo música e aproveitando as melhores madrugadas da juventude.

Como era bom andar por aquelas ruas sem medo de ser feliz!

Havia casas noturnas onde a música atravessava a madrugada. Havia dança, encontros, risadas e sonhos. Cada esquina parecia guardar uma história, e cada canção ajudava a escrever uma página da nossa juventude.

Hoje olho para trás e percebo que o tempo levou muitas coisas, mas não conseguiu levar as lembranças.

As luzes daquela juventude continuam acesas dentro da minha memória.

E quando “Jolene” começa a tocar, Dolly Parton não é apenas uma cantora que marcou a música.

Para mim, ela é também a voz que abre uma janela para o passado.

É a voz que me leva de volta à Rua Augusta, numa noite de setembro de 1973.

É a voz que me faz reencontrar aquele jovem que um dia fui.

Minha querida Dolly Parton, descansei em paz.sua música continua viva.

E enquanto houver alguém ouvindo “Jolene” e sentindo o coração voltar no tempo, sua voz continuará atravessando gerações.

Obrigado, Dolly, por ter feito parte da trilha sonora da minha juventude.

As luzes da minha juventude se apagaram nas ruas de São Paulo, mas nunca se apagaram dentro de mim.

E quando a madrugada chega silenciosa...

Eu fecho os olhos.

E volto para lá.

Para a Rua Augusta.

Para aquela casa noturna.

Para aquela noite de setembro.

E para a voz de Dolly Parton cantando:

Jolene...
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 27/08/2026
Alterado em 27/08/2026
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