

Cordel do Menestrel das Alagoas
Teotônio Vilela,
Menestrel das Alagoas, entrou para nossa história com suas palavras tão boas. Mesmo enfrentando o câncer, defendeu as causas do povo. Era um homem de coragem, de consciência e coração, que enfrentou tempos difíceis sem abandonar a missão. Queria ver o povo livre, escolhendo a direção. E Fafá de Belém, a musa das Diretas Já, com sua voz emocionada fez o Brasil se arrepiar. Era a arte junto ao povo fazendo a esperança cantar. Osmar Santos, grande voz, também entrou nessa história, narrando aquele momento que ficou na nossa memória. E Sócrates, doutor do povo, também lutou pela vitória. Vinte e sete de novembro, um dia para recordar: na Praça Charles Müller, o povo começou a chegar. No estádio do Pacaembu, as Diretas vieram ecoar. Era um comício histórico, um marco da mobilização. E eu, Antonio Laurentino Sobrinho, estava naquela multidão. Também estava fazendo a minha parte nessa missão. Depois veio a Praça da Sé, vinte e cinco de janeiro, aniversário de São Paulo, um encontro verdadeiro. Trezentas mil pessoas juntas, num sonho brasileiro. E eu estava entre elas, com minha voz e meu coração. Antonio Laurentino Sobrinho, mais um naquela multidão. Eu também fazia parte da campanha pela eleição. No Vale do Anhangabaú, na passarela do Viaduto do Chá, eu estava novamente com a bandeira a tremular. Era a bandeira das Diretas, era o povo a reivindicar. E Teotônio, mesmo doente, não deixou de caminhar. Fazia tratamento contra o câncer, mas continuava a lutar. Sua doença não calou a vontade de libertar. Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal de São Paulo, também marcou sua presença num momento tão difícil. Com setores progressistas defendeu o voto popular. Religiosos e religiosas levantaram sua voz, defendendo a democracia e o direito de todos nós. Contra o silêncio e a opressão, não ficaram sós. Foram anos muito difíceis, de repressão e de temor. Muita gente se calava diante daquele poder. Mas também houve brasileiros que escolheram resistir. Houve reuniões clandestinas, havia medo e perseguição, mas havia gente sonhando com um Brasil de eleição. Cada pequeno gesto era semente de libertação. Eu tinha quarenta e três anos, já pensava nos meus filhos. Pensava no futuro deles, nos caminhos e nos trilhos. Eu não queria que passassem pelos mesmos perigos meus. Eu queria que meus filhos pudessem viver em liberdade, que pudessem escolher seus rumos, com respeito e dignidade. Que jamais conhecessem o peso da autoridade. Hoje, olhando para trás, posso dizer sem temor: não fui apenas testemunha da história do meu país. Fiz também a minha parte, com esperança e com valor. Se um dia perguntarem o que eu fiz naquele chão, direi: estive nas praças, levando a minha convicção. Fui uma entre tantas vozes pedindo participação. E se hoje meus filhos e netos podem viver outra realidade, eu guardo dentro do peito uma grande felicidade: fiz a minha parte na luta em defesa da liberdade. Por isso canto Teotônio, o Menestrel das Alagoas, canto Ulysses e Tancredo, canto as multidões e suas vozes. Canto todos que ajudaram a escrever páginas tão novas. E canto também meu nome, sem vaidade ou pretensão: Antonio Laurentino Sobrinho, um brasileiro entre a multidão. Um homem que fez sua parte na caminhada da nação. Hoje a memória me diz, com a força de um trovador: a história não se apaga quando é escrita com amor. E a democracia permanece quando o povo conhece seu valor. Diretas Já foi um grito, foi coragem, foi esperança. Foi o povo nas grandes praças reacendendo a confiança. E eu estava lá, meu amigo, fazendo parte dessa lembrança.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 17/08/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|