Sol Flamejante do Sertão

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Textos

O Cordel do Filho de Dona Lindu
No sertão nasceu um menino,
Filho de Dona Lindu,
Num chão de seca e esperança,
Onde o povo sabe lutar.
Levou consigo a lembrança
Da pobreza e da esperança
De um dia poder mudar.

Menino simples do sertão,
Que a vida fez caminhar,
Deixou sua terra querida
E foi para São Paulo chegar.
Levando sonhos na bagagem,
Enfrentando a longa viagem,
Sem saber onde ia parar.

Na grande São Paulo cresceu,
Foi trabalhador como tantos,
Conheceu de perto a dureza
Da vida dos trabalhadores.
E entre máquinas e labutas,
Aprendeu que as grandes lutas
Também nascem das grandes dores.

Na Vila Euclides encontrou
Um palco para lutar,
Onde a voz dos trabalhadores
Começou a ecoar.
Ali se juntaram os braços,
Romperam antigos espaços,
Para seus direitos buscar.

A Vila Euclides virou
Quase uma extensão de seu lar,
E naquele campo de lutas
Fez sua voz ecoar.
Não era somente um homem,
Eram milhares de nomes
Que queriam participar.

O tempo passou, e aquele menino
Que veio do chão do sertão
Chegou ao Palácio do Planalto
Pela força da eleição.
E sua história ganhou
Um capítulo que marcou
A política da nação.

Criou programas sociais
Que ficaram na memória,
Levando milhões de brasileiros
A participar de outra história.
Combateu a fome e a pobreza,
Defendeu educação e riqueza
Como caminhos para a vitória.

Levou filhos dos mais pobres
Para dentro da universidade,
Ampliou oportunidades
Para uma nova geração.
Porque acreditava que o estudo
Pode transformar o futuro
De toda uma população.

Defendeu que quando o povo pobre
Consegue crescer e prosperar,
A indústria também cresce
E o país pode avançar.
Mais emprego, mais produção,
Mais consumo e circulação,
Mais força para trabalhar.

Essa visão de desenvolvimento
Traz uma ideia importante:
Que o crescimento de um país
Não deve deixar ninguém distante.
Quando a riqueza se espalha,
A esperança não se cala
E a economia segue adiante.

Foi um homem que construiu
Sua trajetória na política,
Entre vitórias e derrotas,
Numa caminhada crítica.
Conheceu a glória e a dor,
Conheceu o aplauso e o clamor,
Numa história muito rica.

E depois de tantos anos,
Uma estrela voltou a brilhar
Na Vila Euclides querida,
Lugar que o viu começar.
A memória abriu seu caminho,
E aquele antigo cantinho
Voltou a testemunhar.

A estrela que Dona Marisa
Um dia mandou bordar,
Símbolo de uma caminhada
Que não deixou de sonhar,
Voltou a encontrar seu lugar
Onde trabalhadores fizeram
Sua voz se levantar.

E agora, junto de Janja,
Num reencontro emocionante,
A história voltou à Vila
Com seu passado presente.
E entre trabalhadores reunidos,
Reapareceram os sentidos
De uma caminhada gigante.

E ele falou de confiança,
De diálogo e união:
“Quem confiar em mim, levante
Comigo a sua mão.”
E naquele instante bonito,
O gesto falou mais alto
Que qualquer explicação.

Mãos levantadas no ar,
Como um símbolo de união,
De quem acredita no diálogo
E participa da construção.
A Vila Euclides testemunhou
Que a história que começou
Ainda vive no coração.

Esse cordel não quer dizer
Que não houve controvérsia,
Pois toda vida política
Tem sua face diversa.
Mas registra uma trajetória
Que ficou marcada na história
Da República brasileira.

Do sertão para São Paulo,
Da fábrica para a Nação,
Da Vila Euclides ao Planalto,
Foi longa a caminhada então.
Um menino de chão rachado
Que jamais deixou de lado
As raízes do seu sertão.

Filho de Dona Lindu,
Nordestino retirante,
Carregou dentro do peito
Sua origem a cada instante.
E sua história permanece
Como parte do Brasil
Que luta, sonha e acontece
Diante de todo gigante.

Que o tempo conte essa história
Com seus acertos e contradições,
Com suas vitórias e derrotas,
Com suas paixões e opiniões.
Porque a história de um país
Não se escreve somente
Com uma voz ou uma raiz,
Mas com milhões de cidadãos.

E assim termina o cordel
Do menino do sertão,
Que atravessou tantas estradas
Na sua longa caminhada.
De Pernambuco a São Paulo,
Da luta dos trabalhadores
À história da nossa Nação.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 17/08/2026
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