Sol Flamejante do Sertão

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Minha Saga em Fortaleza — Segunda Parte
Depois de oito dias, meu tio finalmente retornou de São Paulo. Eu fiquei muito contente quando ele chegou. Ele olhou para mim e disse:

— Amanhã vou levar você à garagem para arrumar um trabalho para você na empresa.

No dia seguinte, fomos conversar com o gerente da garagem. Eu estava cheio de esperança, pensando que finalmente conseguiria um emprego.

O gerente me disse:

— O único trabalho que posso lhe oferecer é fazer a limpeza dos ônibus.

Eu não tinha outra alternativa. Estava sem dinheiro e morando de favor na casa do meu tio. Aceitei imediatamente.

Comecei a trabalhar. Só que havia um problema: eu não tinha um salário fixo da empresa. Eram os próprios motoristas que me pagavam pelo serviço. Cada um dava o que queria.

Tinha motorista que era legal e pagava direitinho. Mas também tinha aqueles que eram mão de vaca e pagavam uma miséria.

Trabalhei assim durante três meses.

Depois disso, meu tio me levou até o Posto Carcará, na Avenida João Pessoa, no bairro do Montese. Era onde os motoristas do Expresso Cearense abasteciam os ônibus.

Meu tio conseguiu para mim um trabalho lavando caminhões e ônibus de turismo.

Eu continuava morando na casa do meu tio Nozinho.

Um belo dia, ele chegou de viagem dirigindo um Chevrolet 1949. Era um carro muito bonito. Fiquei encantado quando vi aquela máquina.

As laterais eram azuis, o teto era branco, os vidros tinham uma tonalidade verde e os bancos eram brancos.

Mas havia um problema: a casa não tinha garagem.

Meu tio ficou preocupado, com medo de que roubassem o carro. Na rua inteira, só havia aquele carro.

Eu não tinha outra alternativa. Então me ofereci para dormir dentro dele, para tomar conta durante a noite.

Eu tinha apenas 17 anos e era bem magrinho. Dormia enrolado dentro daquele Chevrolet, como uma cobra.

Passei três meses dormindo dentro daquele carro.

Até que meu tio resolveu vendê-lo.

E lá fui eu novamente dormir na minha rede, na sala da casa.

Continuei trabalhando no Posto Carcará. Era um lugar muito movimentado e eu trabalhava bastante.

Naqueles anos 1960, os patrões pagavam o que queriam. Para cada vaga de trabalho que aparecia, havia uma multidão de pessoas de olho nela.

Eu ganhava tão pouco que mal dava para pagar a passagem de ônibus e comer.

Mas eu não desistia.

Foi então que conheci um funcionário de um depósito de material de construção. Fiz amizade com ele e, certo dia, ele me chamou para trabalhar com eles no Depósito Martins.

Fiquei todo feliz.

Eu ainda não sabia, mas aquela seria apenas mais uma etapa da minha caminhada.

Eu estava apenas começando a conhecer o sofrimento da vida.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 13/08/2026
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