

MINHA JUVENTUDE EM JUAZEIRO DO NORTE
Saudades dos Meus Dezesseis Anos
Que saudade dos meus dezesseis anos! Hoje, quando fecho os olhos, parece que consigo voltar no tempo e caminhar novamente pelas ruas de Juazeiro do Norto nas tarde de Domingo. Saudades das na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores. Saudades dos passeios pela estação do trem. Saudades das festas na Igreja dos Franciscanos. E como esquecer os bailes da Escola Normal? Eu ficava encantado vendo aquelas meninas com suas elegantes fardas: saias plissadas de cor lilás e blusas brancas. Para um rapaz de dezesseis anos, aquilo era quase uma poesia. E havia a Claudinha... Eu ficava esperando a hora de ela sair da escola. Quando ela aparecia, meu coração já começava a bater diferente. Depois, eu a levava para tomar sorvete na praça da Prefeitura. De lá, acompanhava Claudinha até sua casa, na Rua Padre Cícero. Também tenho saudades das tardes em que passeávamos de mãos dadas pela Praça Padre Cícero. É engraçado como a memória guarda certas coisas que o tempo jamais consegue apagar. Lembro-me também do baile de formatura da Claudinha, no salão da escola. Quando fomos dançar, começaram a tocar as músicas de Celly Campello. Meu coração parecia querer sair pela boca. Eu estava tomado por uma alegria que não cabia dentro de mim. Eram as músicas da Jovem Guarda. Como eu sinto saudade daquele tempo! Saudades das tertúlias nas casas das famílias, quando a juventude se reunia para conversar, dançar e ouvir música. A música saía da vitrola de alta fidelidade. Era assim que chamávamos aqueles aparelhos naquela época. Poucas pessoas tinham uma em casa. Quem possuía uma vitrola de alta fidelidade era considerado rico. E a lambreta? Ah, a lambreta também era um sonho! Não era qualquer pessoa que podia comprar uma. Hoje, olhando para trás, percebo que não precisávamos de tanta coisa para sermos felizes. Um sorvete na praça. Uma caminhada de mãos dadas. Uma música tocando na vitrola. Um baile. Uma tertúlia. Uma lambreta passando pela rua. E um coração de dezesseis anos descobrindo o amor. Foi assim a minha juventude em Juazeiro do Norte. Uma juventude vivida entre a fé, as amizades, os bailes, as músicas e os primeiros encantos do coração. Juazeiro do Padre Cícero ficou para mim como uma fotografia guardada dentro da alma. O tempo passou. A juventude passou. Os dezesseis anos ficaram para trás. Mas existe uma coisa que o tempo não conseguiu levar: a saudade. E quando a saudade aperta, eu faço uma coisa muito simples. Fecho os olhos... E volto para Juazeiro. Volto para a Praça Padre Cícero. Volto para a estação do trem. Volto para a Escola Normal. Volto para as tertúlias. Volto para aquele baile. E encontro novamente Claudinha. Ela está esperando na saída da escola, com sua saia plissada lilás e sua blusa branca. Eu chego perto dela. Pegamos um sorvete. Depois caminhamos de mãos dadas pela praça. E, por alguns instantes, o tempo deixa de existir. Tenho novamente dezesseis anos. E meu coração... Ah, meu coração ainda bate como naquele tempo. Com vontade de sair pela boca.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 11/08/2026
Alterado em 11/08/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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