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A PRIMEIRA CORRIDA DE MONTANHA
Colinas da Serra da Bocaina – Igaratá

20 de março de 2016

Há momentos em nossa vida que jamais esquecemos.

O dia 20 de março de 2016 tornou-se um desses momentos inesquecíveis. Foi a data em que participei da minha primeira corrida de montanha, realizada nas belíssimas colinas da Serra da Bocaina, na cidade de Igaratá, interior de São Paulo.

Cada corrida possui sua própria história.

Cada percurso apresenta novos desafios.

Cada chegada representa uma vitória diferente.

E, em Igaratá, não poderia ter sido diferente.

Completei os 10 quilômetros do percurso com o tempo líquido de 1h07min27s, conquistando minha primeira medalha em uma prova de montanha.

A medalha, porém, foi apenas um detalhe.

A verdadeira conquista foi vencer os obstáculos que a natureza havia preparado para todos nós.

Foram dez quilômetros de pura adrenalina.

Subidas longas e íngremes.

Descidas escorregadias.

Trilhas de terra batida.

Pedras soltas exigindo atenção a cada passo.

Estradas rurais que pareciam não ter fim.

Tudo isso cercado por uma paisagem de rara beleza.

Durante o percurso passamos por chácaras, pesqueiros, pequenas propriedades rurais e cachoeiras de águas cristalinas que refletiam a luz do sol como verdadeiros espelhos da natureza.

Os pássaros pareciam cantar para incentivar os corredores.

Os moradores saíam às portas de suas casas para nos aplaudir, oferecendo palavras de incentivo e gestos de carinho que faziam esquecer o cansaço.

Naquele instante compreendi que uma corrida nunca acontece apenas dentro da pista.

Ela também acontece dentro do coração.

Cada quilômetro percorrido nos ensina alguma coisa.

Cada subida fortalece nossa determinação.

Cada descida exige equilíbrio.

Cada chegada renova nossa esperança.

A vida também é assim.

Todos nós percorremos caminhos previamente traçados, enfrentando dificuldades, superando desafios e aprendendo a valorizar cada conquista.

É por isso que jamais devemos desistir dos nossos sonhos.

Com esforço, disciplina e perseverança, um a um eles vão sendo alcançados.

Basta acreditar.

Basta continuar caminhando.

Ou, melhor ainda...

Continuar correndo.

Entre centenas de atletas, uma pessoa chamou especialmente minha atenção.

Era o senhor Erasmo, de 83 anos, medindo pouco mais de 1,60 metro de altura, mas gigante em coragem, determinação e vontade de viver.

Ele completou os mesmos dez quilômetros em aproximadamente duas horas.

Chegou à frente de muitos atletas bem mais jovens.

Enquanto alguns reclamavam do percurso, ele seguia firme, passo após passo, demonstrando que a idade nunca será maior do que a força de um sonho.

Para mim, ele foi o verdadeiro campeão daquela prova.

Olhando para aquele homem simples, lembrei-me imediatamente do cantor Erasmo Carlos, eternizado como "O Tremendão".

Naquele dia, porém, o verdadeiro Tremendão era aquele senhor que, com humildade e coragem, nos ensinava que o corpo envelhece, mas o espírito jamais deve deixar de acreditar.

A corrida era linda.

Mas exigia respeito.

Não era uma prova para aventureiros.

Era preciso preparo físico, equilíbrio emocional e muita força de vontade.

Sob um calor que ultrapassava os 30 graus, cada gole de água tornava-se precioso.

E foi justamente aí que aprendi outra importante lição.

Como era minha primeira corrida de montanha, não sabia que cada atleta deveria levar sua própria hidratação.

Diferentemente das provas de rua, havia poucos pontos de abastecimento.

Foi um aprendizado que levarei para todas as próximas aventuras.

Apesar disso, nossa equipe mostrou mais uma vez o verdadeiro significado da palavra união.

Os Coyotes Run marcaram presença em peso.

As trilhas ficaram tomadas pelas camisetas da equipe, formando um verdadeiro espetáculo de companheirismo.

Ao final da prova, o senhor Darci Nogueira preparou uma recepção inesquecível.

Montou uma grande tenda repleta de frutas, melancia, melão, sucos, paçocas e outras delícias.

Muito mais do que alimentar nossos corpos, aquele gesto alimentava nossa amizade.

Era impossível não perceber o espírito de família existente entre todos os integrantes.

A equipe conquistou excelentes resultados em diversas categorias, demonstrando que dedicação, disciplina e trabalho coletivo produzem grandes campeões.

Sob a liderança de Darci Nogueira, com o apoio de seus filhos, do professor Osman Magalhães, da professora Ticiane Magalhães e do dedicado treinador Claudinei, os Coyotes Run consolidavam-se como uma das equipes amadoras mais respeitadas da região.

Cada treino.

Cada gota de suor.

Cada quilômetro percorrido.

Tudo contribuía para fortalecer uma equipe formada não apenas por atletas, mas por amigos que compartilhavam o mesmo ideal.

Também merece reconhecimento o apoio dos patrocinadores, que acreditavam no esporte como instrumento de saúde, inclusão e qualidade de vida.

Graças a esse incentivo, nossos sonhos tornavam-se cada vez mais possíveis.

Naquele dia compreendi que medalhas enferrujam.

Troféus podem se quebrar.

Os recordes, um dia, serão superados.

Mas as amizades construídas ao longo da caminhada permanecem para sempre.

A verdadeira vitória nunca está no lugar mais alto do pódio.

Ela está na coragem de enfrentar nossos próprios limites.

Está na decisão de levantar depois de cada queda.

Está na capacidade de seguir em frente quando o caminho parece impossível.

A montanha ensina aquilo que muitas vezes a vida tenta nos mostrar.

Quanto maior a subida, mais bonita será a paisagem no topo.

Que possamos continuar correndo atrás dos nossos sonhos com a mesma coragem com que enfrentamos as montanhas.

Que jamais percamos a vontade de aprender, de recomeçar e de acreditar.

Que nossos passos sejam guiados pela humildade.

Que nossas vitórias sejam compartilhadas com aqueles que caminham ao nosso lado.

E que nossos desafios nunca sejam maiores do que a nossa determinação.

Ao final da corrida, percebi que não havia conquistado apenas uma medalha.

Eu havia conquistado uma nova maneira de enxergar a vida.

Porque correr nunca foi apenas colocar um pé à frente do outro.

Correr é aprender que o maior adversário mora dentro de nós.

E que a maior vitória acontece quando vencemos nossos medos, nossas limitações e nossas desculpas.

Hoje, olhando para trás, compreendo que aquela corrida em Igaratá foi muito mais do que uma prova esportiva.

Foi uma verdadeira escola de vida.

Foi ali, entre montanhas, trilhas e cachoeiras, que descobri que os sonhos não possuem linha de chegada.

Cada conquista alcançada apenas nos convida a sonhar um pouco mais alto.

E assim seguimos...

Correndo.

Sonhando.

Vivendo.

Porque, enquanto houver um novo horizonte à nossa frente, sempre existirá um motivo para continuar.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 22/07/2026
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