Sol Flamejante do Sertão

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ADEUS, GENIPABU... ADEUS, YARACY
Hoje é vinte e sete de outubro de dois mil e doze. É o primeiro dia em que, depois de vinte e sete anos indo diariamente à praia de Genipabu, não estarei à espera de Yaracy.

Ontem fui à praia de Genipabu. Estava sentado sobre uma duna de areia branca, contemplando as águas azuis do mar. A tarde estava deslumbrante: o céu, intensamente azul, era cortado pelo voo de andorinhas e gaivotas que pareciam cantar sobre o mar calmo. O sol já adquiria o tom dourado do entardecer, enquanto eu permanecia com os olhos fixos no horizonte. Dois golfinhos brincavam entre as ondas, acompanhando duas sereias.

De repente, surgiu uma onda enorme e, com ela, apareceram duas belas mulheres. Saíram das águas e caminharam em minha direção. Eram verdadeiros monumentos de beleza. Foi então que reconheci Aracy. A outra eu não conhecia. As duas se aproximaram sorrindo.

— Boa tarde! Tudo bem com você?

— Sim. Quanto tempo! Por onde você andava?

— Eu estava com meus amores.

— Fala sério?!

— Sim. Finalmente nos encontramos.

— Fico feliz por vocês. Depois de tanto tempo, voltamos a nos encontrar. Estamos morando em Aracati. Vim aqui hoje apenas para apresentar minha prima, já que nós duas não podemos nos casar.

Ela sorriu e perguntou:

— Então, o que achou dela?

— Gostei muito... Ela é linda!

— Agora só depende de vocês dois.

Ela inclinou delicadamente a cabeça em minha direção e, ao erguer o rosto novamente, abriu um sorriso ainda mais bonito que o primeiro. Por alguns instantes viajei para um mundo distante, e ela percebeu meu encanto. As duas riram.

Então disse:

— Amanhã, a esta hora, estarei em Canoa Quebrada.

Perguntei:

— Você não mora aqui?

— Vim apenas para o casamento da minha prima. Já estou aqui há dezessete dias e preciso voltar. Meus pais já viajaram. Quando nos veremos novamente?

Olhei para ela e respondi:

— Amanhã, neste mesmo horário, estarei esperando você na praia de Canoa Quebrada, em frente à falésia dos desenhos da lua e da estrela. Vou todas as tardes para lá. Fico até a noite, assisto ao pôr do sol e, depois, admiro a lua iluminando as águas esverdeadas e os coqueirais. Estarei esperando por você com todo o prazer.

— Então está combinado.

— Tudo bem. Estarei lá.

As duas levantaram-se.

— Foi um prazer reencontrar você.

Inclinaram a cabeça, sorriram e disseram:

— Bye bye...

Eu não tive forças para responder.

Pediram que eu as acompanhasse até a água. Caminhamos juntos. Elas entraram no mar e, logo em seguida, uma onda azulada as envolveu e as levou de volta.

Retornei à duna e permaneci contemplando o brilho da lua refletido sobre o mar calmo e azulado. Passei a noite inteira imóvel, sentindo o perfume delicado que elas haviam deixado no ar, um suave aroma de acácia silvestre. Nem percebi a noite passar.

O dia amanheceu. O sol surgiu atrás das dunas brancas, espalhando seus raios dourados pelo horizonte. Logo uma nuvem de gaivotas começou a voar e cantar alegremente, enquanto os golfinhos brincavam como crianças. Foi então que despertei para a realidade.

Eu havia me esquecido do encontro com Yaracy, naquela noite, em Canoa Quebrada.

Saí apressado para não chegar atrasado. Passei pela Pousada do Sossego, tomei um banho rápido e parti rumo a Canoa Quebrada. Estava ansioso. Mal podia esperar para chegar à praia das falésias.

Era um prazer admirar tanta gente bonita, mas meus olhos procuravam apenas Yaracy.

A paisagem era magnífica. Pássaros sobrevoavam toda a extensão da praia. Eram três horas e quarenta e cinco minutos quando cheguei.

O mar permanecia calmo. Suas ondas quebravam suavemente, formando espumas brancas sobre as águas esverdeadas.

Então, como em um piscar de olhos, surgiu uma onda gigantesca. Dela apareceu Yaracy, como se fosse uma sereia. Seus longos cabelos negros balançavam ao vento e uma rosa branca enfeitava seus fios. Vestia um biquíni estampado com flores de lótus.

Em meus sessenta e três anos de vida, jamais havia contemplado uma beleza igual.

Ela estava deslumbrante.

Aproximamo-nos. Mesmo com a respiração ofegante, tomei coragem e disse:

— Você é fabulosa.

Ela sorriu.

— Obrigada. São os seus olhos.

Fomos até a falésia e nos sentamos para assistir ao pôr do sol. O astro brilhava intensamente, tingindo o céu de dourado e vermelho. Conversamos por longas horas.

Quando o sol desapareceu no horizonte, a lua surgiu acompanhada de suas incontáveis estrelas. Permanecemos ali, durante toda a noite, admirando aquele espetáculo da natureza.

Naquela mesma noite, fizemos nossos planos.

Decidimos que moraríamos em Canoa Quebrada, terra do sol e da liberdade, terra das luaradas, dos namorados e dos eternos apaixonados. Lugar onde, nas noites de lua cheia, casais caminham pela praia escrevendo poemas para seus grandes amores.

A praia fica repleta de jovens enamorados, vivendo romances que parecem não ter fim.

É para lá que vou...
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 21/07/2026
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