

Saudade das Curvas do Velho Tietê
Há que saudade das curvas do velho Rio Tietê,
das várzeas verdejantes que o tempo não conseguiu apagar. Saudade das árvores frutíferas: o cambuci, o jatobá, o jerivá, das palmeiras-juçara e dos manacás floridos, enfeitando as margens como um jardim de Deus. Os gaviões riscavam o céu, as anhumas anunciavam a manhã, e uma infinidade de passarinhos transformava o velho Tietê numa grande sinfonia. O capim de flores vermelhas coloria suas margens, enquanto o vento, ao entardecer, acariciava a paisagem com infinita ternura. As margens sinuosas guardavam histórias das festas de Nossa Senhora da Penha e de Nossa Senhora do Ó. Os grandes batelões, conduzidos pelos portugueses, transportavam areia e passageiros. Nas festas, eram lavados, enfeitados e ornamentados com as cores das santas, levando fé e esperança pelas águas do rio. Os pescadores lançavam suas redes nas águas cristalinas do Tietê. Dourados e piaparas dançavam entre as malhas, como se celebrassem a fartura da natureza. Ao nascer do dia, o canto dos pássaros anunciava mais uma manhã de paz. O tempo passou... Mas as lembranças do velho Tietê permanecem vivas no coração de seus filhos. Nas curvas do velho rio mora uma parte da minha vida, dos meus sonhos de menino, dos batelões cruzando as águas, da velha Ponte das Bandeiras, do Tucuruvi e de sua Maria Fumaça, abarrotada de passageiros, levando consigo histórias, esperanças e saudades. É a memória de um tempo que não volta mais, mas que viverá para sempre no coração de quem aprendeu a amar o velho e inesquecível Rio Tietê.
Antonio Laurentino Sobrinho
Enviado por Antonio Laurentino Sobrinho em 10/07/2026
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